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Moro denuncia que "grupo criminoso" ataca luta contra corrupção no Brasil

2019-06-19T11:02:00

19/06/2019 11h02

Brasília, 19 jun (EFE).- O ministro da Justiça, Sérgio Moro, denunciou nesta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que existe um "grupo criminoso" que pretende atacar as instituições e a luta "contra a corrupção que ele encarnou como juiz.

Moro comentou assim as mensagens obtidas pelo portal "The Intercept", que mostram conversas que teve como juiz a cargo da operação Lava Jato, que colocam em dúvida sua atuação no julgamento que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora o portal ainda não tenha especificado como as mensagens foram obtidas, Moro disse na CCJ que suspeita que se trata de um "grupo organizado" que pretende "minar os esforços anticorrupção" da sociedade brasileira.

Moro voltou a negar que combinou ações da Lava Jato com procuradores do Ministério Público, embora tenha admitido que conversava com eles sobre o andamento dos processos, e disse que fazia o mesmo com os advogados responsáveis pelas defesas das "centenas" de acusados.

"Isso é normal na tradição jurídica do Brasil e de outros países", afirmou.

O ministro também apresentou dados sobre a operação Lava Jato, que revelou uma gigantesca rede de corrupção em irregularidades na Petrobras, que envolve dezenas de empresários e políticos poderosos do Brasil e que se estendeu a países da América Latina e da África.

"Mais de 90 denúncias, 45 sentenças, 291 acusados, 211 condenações, 298 pedidos de prisões cautelares e 207 foram aceitos e, em todos os casos, com provas muito sólidas", detalhou.

Moro também acrescentou que a operação Lava Jato resultou em dezenas de acordos de delação premiada com os acusados e permitiu até agora, já que "ainda continua", recuperar para o Estado cerca de R$ 2,3 bilhões desviados pela corrupção.

Segundo o ministro, o principal resultado da Lava Jato foi a quebra do "ciclo de impunidade" que no Brasil amparava os políticos e influentes empresários, que durante anos tinham incorrido em diversas práticas corruptas em todos os níveis da administração pública.

Em relação às mensagens obtidas pelo "The Intercept", Moro insistiu que desconhece sua "autenticidade", porque o conteúdo pode ter sido "editado total ou parcialmente".

O ministro também condenou o "sensacionalismo" e disse que essas mensagens foram publicadas sem que lhe fosse dado direito de resposta.

"Tenta-se criar uma situação de escândalo que no fundo é inexistente", ressaltou. EFE

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