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Ex-guerrilheiros das Farc denunciam na ONU ameaças ao processo de paz

25/06/2019 12h18

Genebra, 25 jun (EFE).- Dois históricos ex-combatentes das Farc e agora congressistas, Sandra Ramírez e Jairo Cala, denunciaram nesta terça-feira em Genebra que o processo de paz na Colômbia está em perigo por fatos como o assassinato de 131 ex-membros da guerrilha desde a assinatura dos Acordos de Paz de Havana em 2016.

Sandra, viúva do ex-líder guerrilheiro Manuel Marulanda "Tirofijo", e Cala transmitirão esta preocupação à alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que os receberá em seu escritório.

Além disso, ambos pedirão que as Nações Unidas renovem nos próximos meses o mandato da sua Missão de Verificação dos Acordos de Paz.

"Vamos transmitir à ONU a difícil situação que temos no nosso país, com assassinatos sistemáticos após a assinatura do acordo de paz", disse à Agência Efe Sandra, hoje senadora.

Além dos 131 ex-combatentes mortos, a congressista citou 600 assassinatos de líderes locais, entre ativistas de direitos humanos, ambientalistas e políticos.

Segundo a senadora, por trás desses crimes estão "os mesmos grupos paramilitares que operam na Colômbia há 50 anos" sob novos nomes como a Águias Negras e Clã do Golfo.

"Pedimos aqui o apoio da comunidade internacional para impedir que o acordo de paz na Colômbia fracasse", acrescentou o deputado Cala.

Os dois congressistas também pedirão a Bachelet que garanta a continuidade do Escritório do Alto Comissário para os Direitos Humanos na Colômbia, que segundo eles está ameaçado pelas tentativas do governo colombiano de paralisar suas atividades.

Cala acusou a "extrema-direita liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe" de ser responsável pelas dificuldades no processo de paz e "em boa parte pela violência e o surgimento dos grupos criminosos na Colômbia".

Os dois ex-guerrilheiros afirmaram que a transformação das Farc de grupo armado em partido político não representa uma mudança nos seus objetivos de ser "uma proposta política alternativa ao regime que imperou na Colômbia". EFE

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