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Reuniões entre Índia e EUA reduzem tensões sem acordo sobre comércio e defesa

26/06/2019 11h38

Nova Délhi, 26 jun (EFE).- A visita a Nova Délhi do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e suas reuniões com as autoridades da Índia relaxaram superficialmente a tensão política entre ambas as nações, que nos últimos meses tiveram desencontros no plano comercial, energético e de defesa.

Após uma batalha de tarifas durante o último ano, o cancelamento dos privilégios tributários obtidos pela Índia no passado e uma série de regulações impostas às empresas americanas, Pompeo falou nesta visita sobre um novo incentivo para as relações entre os mercados da Índia e dos EUA.

"Somos amigos, mas nunca em qualquer relação bilateral na qual eu tenha participado como secretário de Estado, não importa o quão próximos sejamos, foi possível se livrar de ter algumas diferenças", disse Pompeo em entrevista coletiva ao ser perguntado sobre os atritos no âmbito comercial.

O mais recente contratempo se deu quando, no dia 1º de junho, Washington decidiu pôr fim ao Sistema Generalizado de Preferências (GSP), que exonerava a Índia de pagar taxas sobre alguns produtos de interesse.

A medida foi adotada dois meses depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, criticar o governo indiano por não garantir um acesso "equitativo e razoável" ao seu mercado em "vários setores", referindo-se principalmente às onerosas tarifas que o levaram a se referir ao país asiático como "o rei das tarifas".

A Índia respondeu com reciprocidade dias antes da visita de Pompeo, aumentando as tarifas sobre 30 artigos americanos.

Isso foi precedido por uma série de regulamentações para investidores estrangeiros sobre o comércio eletrônico imposto pela Índia que afetaram diretamente os investimentos dos varejistas americanos Walmart e Amazon, o que irritou Washington.

Além disso, a Índia vem sofrendo com as sanções dos EUA contra o Irã, que é o principal fornecedor energético do país asiático, o que lhe impediu de continuar se suprindo de petróleo iraniano.

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, disse na mesma entrevista coletiva que durante a reunião com Pompeo expressou a posição indiana sobre o Irã, e a prioridade do governo do primeiro-ministro Narendra Modi de garantir ao país os recursos energéticos.

"Nós temos uma perspectiva do Irã. Obviamente, o secretário de Estado também compartilhou comigo suas preocupações sobre o Irã. Eu penso francamente que ambos expressamos nossas preocupações a respeito", disse.

Jaishankar indicou que para a Índia "é importante que o fornecimento de energia global seja o mais previsível e acessível possível, e este é um assunto no qual o secretário Pompeo foi muito receptivo", declarou.

Lembrando que grande parte dos recursos energéticos do país provêm de fornecedores do golfo, o ministro indiano afirmou que Pompeo foi receptivo a respeito, mas não adiantou nenhum acordo sobre o tema.

"Espero não estar falando por ele, mas digo na sua frente, sei que ele compreende com certeza quais são os nossos interesses", ressaltou o chanceler indiano sentado junto a Pompeo.

"Sabemos que o Irã é o maior patrocinador do terrorismo no mundo, conhecemos o povo da Índia, que está sofrendo com o terrorismo no mundo todo", respondeu o secretário de Estado.

De acordo com Pompeo, "a proposta comum é que possamos manter os recursos energéticos nos preços corretos e fazer frente a esta ameaça".

O cancelamento da compra dos sistemas de mísseis russos s-400 foi outro dos assuntos conversados nesta reunião, embora os representantes dos governos tenham garantido que não chegaram a uma conclusão nesta matéria.

No começo da manhã, o chefe da diplomacia americana também se reuniu com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, uma reunião que antecede o encontro entre o governante indiano e o presidente Trump em Osaka, no Japão, à margem da Cúpula do G20 programada para o próximo final de semana. EFE

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