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Social-democrata governará Dinamarca após acordo com centro-esquerda

26/06/2019 14h30

Anxo Lamela.

Copenhague, 26 jun (EFE).- A social-democrata Mette Frederiksen se transformará nesta semana em primeira-ministra da Dinamarca após alcançar nesta quarta-feira um acordo com outras três legendas de centro-esquerda para governar sozinha após as eleições de três semanas atrás.

Frederiksen, que aos 41 anos será a primeira-ministra mais jovem na história do país, liderará um governo sem coalizões, com 48 das 179 cadeiras do parlamento, embora o pacto com os social-liberais, os socialistas populares e a Lista Unitária lhe garanta o apoio da maioria da câmara.

A futura primeira-ministra se reuniu hoje com a rainha Margarida II para anunciar o acordo e a previsão é que amanhã divulgue a composição do segundo governo social-democrata deste século na Dinamarca, que como Suécia e Finlândia estará governada agora pela centro-esquerda.

As quatro legendas pactuaram um acordo que não introduz grandes reformas com relação à linha do anterior governo de direita do liberal Lars Lokke Rasmussen, apesar de conter compromissos mais ambiciosos na área climática, mais investimento em bem-estar e algumas mudanças na dura política migratória.

"É um documento político que, como um dos primeiros do mundo, eleva as ambições verdes. Faremos um plano climático, uma lei climática vinculativa e reduziremos as emissões de gases do efeito estufa em 70%" até 2030, em comparação com níveis de 1990, disse Frederiksen em entrevista coletiva.

O acordo estabelece também um compromisso para aumentar o investimento em saúde e facilitar a chegada de mão de obra qualificada estrangeira, embora as medidas mais criticadas pela direita sejam as vinculadas com a política de imigração.

O novo governo enterrará o polêmico projeto do gabinete anterior para criar um centro para criminosos estrangeiros em uma ilha desabitada, melhorará as condições das famílias com crianças cuja solicitação de asilo tenha sido rejeitada e aceitará de novo refugiados através do sistema de cotas fixado pela ONU.

Os social-democratas apoiaram com seus votos todas as iniciativas do governo de Rasmussen para aprofundar a linha dura em imigração implantada na Dinamarca nas duas últimas décadas, e Frederiksen garantiu em campanha que não se modificaria a linha geral.

No entanto, as mudanças anunciadas hoje não foram do agrado de vários partidos de direita, que a acusaram de descumprir sua promessa.

"Não há nenhuma dúvida que se abriu a porta para que venham mais estrangeiros à Dinamarca", denunciou Pia Kaersgaard, presidente do parlamento na última legislatura e fundadora do Partido Popular Dinamarquês (DF), legenda xenófoba que transformou a política dinamarquesa de imigração neste século.

A centro-esquerda ganhou as eleições legislativas dinamarquesas do último dia 5 de junho com 49% dos votos, frente ao 41% do bloco liderado por Rasmussen, castigado principalmente pela queda do DF, que caiu mais de 12 pontos percentuais e perdeu sua condição de segunda maior força parlamentar. EFE

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