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Criminalização de migrantes esquenta debate de candidatos democratas nos EUA

27/06/2019 01h17

Miami, 26 jun (EFE).- A crise migratória na fronteira entre Estados Unidos e o México acendeu nesta quarta-feira o debate entre dez dos candidatos democratas à Casa Branca, onde o ex-secretário de Habitação, Julián Castro, liderou a discussão ao defender a não-criminalização do cruzamento de imigrantes ilegais.

Dado o elevado número de candidatos, com 24 confirmados até o momento, o Partido Democrata decidiu organizar dois debates com a participação dos 20 que tiveram os melhores resultados nas pesquisas de intenções de voto.

Além de Julián Castro, este primeiro debate, realizado em Miami (Flórida), reúne os senadores Elizabeth Warren, Cory Booker e Amy Klobuchar, os representantes a Câmara Baixa Tulsi Gabbard e Tim Ryan, e os ex-congressistas Beto O'Rourke e John Delaney.

Assim como Jay Inslee, governador de Washington, e o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

Antigo secretário do ex-presidente Barack Obama (2009-2017) e o único latino-americano da lista, Castro defendeu a necessidade de "eliminar" a seção 1325 da Lei de Imigração e Nacionalidade, que permitiu ao governo de Donald Trump implementar sua política de "tolerância zero" contra a imigração ilegal.

Ele defendeu que o cruzamento da fronteira seria uma falta menor e desta maneira, "descriminalizar" a imigração ao assinalar que a citada seção está sendo utilizada para "justificar a separação de famílias".

"Meu plano de imigração, o primeiro no campo, descriminalizaria a migração. Não podemos criminalizar o desespero, como o de Óscar e Valeria, e as crianças detidas separadas de seus pais", afirmou Castro.

O ex-secretário, como também fizeram outros candidatos, se referiu ao salvadorenho Óscar Alberto Martínez, de 25 anos, e sua pequena filha Valeria, de apenas apenas 1 ano e 11 meses, cuja imagem flutuando de bruços na margem do lado mexicano do rio Grande tornou-se o símbolo de uma crise humanitária que está piorando a cada dia.

No debate, Castro enfrentou o ex-congressista Beto O'Rourke, que não foi partidário de eliminar essa disposição por medo de deixar a via livre para traficantes de pessoas e de drogas, ideia refutada pelo ex-secretário e por Tim Ryan, que afirmou que essa mesma norma contém outras disposições que são direcionadas a esses criminosos.

O latino-americano disse que caso seja eleito presidente, emitiria a partir do primeiro dia, uma ordem executiva contra a política de "tolerância zero" de Trump, além de reformar o sistema de imigração e estabelecer um "plano Marshall" para a América Central.

Por sua vez, o senador Booker prometeu que, em seu primeiro dia no cargo, ele restabeleceria a Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca), que protege os jovens indocumentados da deportação.

"Não podemos sacrificar nossos valores, nossos ideais como uma nação para a segurança das fronteiras, podemos ter os dois se agirmos da maneira certa", enfatizou.

Já Bill de Blasio disse que eles deveriam "dizer a todos os americanos que, seja o que for que aconteça com eles, os imigrantes não fizeram isso".

O primeiro debate dos candidatos democratas à Casa Branca começou nesta quarta com a participação de dez dos 20 candidatos deste partido e com ele uma longa corrida presidencial nos Estados Unidos, que terminará com as eleições de novembro de 2020. EFE

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