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Com tanques nas ruas, Washington se prepara para festa patriótica de Trump

3.jul.2019 - Tanque em frente ao Lincoln Memorial, em Washington, a postos para as comemorações de 4 de julho - Jim Bourg/Reuters
3.jul.2019 - Tanque em frente ao Lincoln Memorial, em Washington, a postos para as comemorações de 4 de julho Imagem: Jim Bourg/Reuters

Lucía Leal

Washington

03/07/2019 21h19

Os tanques já estão no centro de Washington para a grande festa patriótica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evento que atrairá para a capital do país simpatizantes e críticos do governo.

Trump quer transformar as comemorações do dia 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos, em uma parada militar nacionalista, um desejo que começou a alimentar quando atendeu convite do presidente da França, Emmanuel Macron, e visitou Paris há dois anos para acompanhar o desfile do Dia da Bastilha.

Depois de o Pentágono ter frustrado os planos de realizar um desfile similar em novembro do ano passado, Trump decidiu organizar uma comemoração do Dia da Independência, que contará com a participação de 300 militares, de tanques que já estão estacionados no centro da cidade e de aviões de combate que sobrevoarão Washington durante o discurso presidencial.

"Nossa 'Homenagem aos Estados Unidos' por 4 de julho em frente ao Monumento a Lincoln será muito grande. Será o espetáculo para toda uma vida!", escreveu Trump hoje no Twitter.

Crítica da oposição

O pomposo evento, que segundo a Casa Branca contará até com um sobrevoo do avião presidencial Air Force One, foi muito criticado pela oposição e por alguns militares da reserva, que temem que Trump politize uma festa nacional que até então tinha caráter não partidário.

Trump aproveitou o último comício, há duas semanas em Orlando, na Flórida, para convidar seus simpatizantes a viajar a Washington para provar que tem apoio mesmo em uma cidade majoritariamente democrata.

Ao menos 50 eleitores do presidente o ouviram, a julgar pelo pequeno grupo que se reuniu hoje em frente à Casa Branca.

"Quero apoiar o presidente, ajudar a fazer os Estados Unidos grandes de novo", disse John Belazik, membro do grupo Motociclistas por Trump, que veio de Maryland, estado vizinho do distrito onde fica a capital. Enrolado em uma gigantesca bandeira com o nome do presidente, Belazik lamentou que Trump seja criticado por levar tanques ao centro da cidade.

"Por que não? Outros países fazem isso. A França os faz passear pelas ruas, pela Champs-Élysées, tanques, mísseis e outras coisas. O presidente só quer homenagear nossos militares", disse o simpatizante de Trump.

Belazik ri ao dizer que foi a Washington para a posse de Trump em 2017 e que participou dos confrontos com manifestantes de esquerda, que prometem protestar também contra a parada militar de amanhã.

"Se eles quiserem (brigar), por mim tudo bem", afirmou.

Preocupação com confrontos

A polícia de Washington está preocupada com a possibilidade de confrontos, sobretudo no sábado, quando um evento convocado por organizações de extrema-direita no centro da capital coincidirá com um protesto do grupo "Black Lives Matter" ("Vidas Negras Importam").

Amanhã, a grande atração para os opositores da Casa Branca estará no National Mall, a mesma esplanada que receberá a festa patriótica. O grupo pacifista Code Pink promete levar ao local o "bebê Trump", um balão inflável que ganhou as capas dos jornais de todo o mundo em protestos contra o presidente americano no ano passado, em Londres.

O balão não ganhar os céus de Washington devido a uma proibição em vigor no centro da capital, mas o Code Pink também trará à festa um robô de quase cinco metros de altura que mostra Trump sentado em uma privada dourada.

Custos do evento

As críticas pela realização da festa cresceram depois do jornal The Washington Post revelar que o Serviço Nacional de Parques dos EUA (NPS) se viu forçado a tirar US$ 2,5 milhões que seriam destinados a melhorar as áreas de lazer do país para cobrir os custos do evento.

Trump minimizou a notícia, ao afirmar no Twitter que a conta da festa é muito pequena se comparada ao valor que as Forças Armadas têm para os EUA.

A Casa Branca distribuiu ingressos das primeiras filas do evento para grandes doadores republicanos, mas doadores do partido afirmaram ao site "Politico" que tiveram dificuldades para preencher os lugares.

Somada às previsões de chuva para a hora do discurso de Trump, a hipótese de esvaziamento da festa fez algumas figuras republicanas a trabalhar contra o relógio para evitar os espaços vazios registrados na posse presidencial.

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