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Túneis do Hezbollah até Israel são equipados com telefone e energia elétrica

05/07/2019 12h24

Laura Fernández Palomo.

Zar'it (Israel), 5 jul (EFE).- A descoberta por parte das autoridades de Israel de diversos túneis cavados pela milícia xiita libanesa Hezbollah, além de demonstrar a sensibilidade da fronteira norte do país, alarmou pela "sofisticação", já que alguns estão equipados com energia elétrica e até mesmo telefone.

O túnel de Zar'it é o mais sofisticado entre os encontrados, segundo explicou à Agência Efe a capitã do exército, Livy Weiss, dentro do úmido local, que possui 77 metros dentro de Israel.

No túnel que tem saída em Zar'it há telefone, energia elétrica e inclusive trilhos em um estreito corredor em espiral com 80 metros de profundidade.

Embora todos os túneis tenham sido neutralizados nos últimos meses em uma recente campanha militar, a existência dos mesmos demonstra a sensibilidade da fronteira norte.

"A tensão entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, no golfo, com os sauditas, também pode se estender às fronteiras com Israel, mas acredito que a última opção (de conflito) é o Líbano", considerou o ex-comandante israelense e especialista em segurança Kobi Marom.

O argumento de Marom é que o Hezbollah, aliado do Irã e considerado grupo terrorista por Israel e outros países, desenvolveu nos últimos anos sua capacidade armamentista, com até 150 mil mísseis que podem chegar a Tel Aviv, e que uma provocação do lado libanês daria uma desculpa a Israel para destruí-los.

Por isso, "é mais provável que escale a situação na Síria - onde o Hezbollah se assentou como aliado do regime de Damasco - ou em Gaza, através dos movimentos islamitas Hamas e da Jihad Islâmica, que o Irã apoia", teorizou.

No entanto, os túneis indicam que há planos no outro lado.

Desde a última guerra entre Israel e Líbano, em 2006, os cerca de 200 quilômetros de divisa norte se mantiveram calmos, mas a descoberta destes túneis no final do ano passado indicam uma preparação para futuros conflitos.

A capitã Weiss aponta para as marcas deixadas na parede pelos cilindros utilizados na escavação porque indicam, segundo ela, um minucioso processo de construção que requer vários anos e até US$ 3 milhões em cada túnel.

Estes são "muito mais avançados em termos de investimento, engenharia e infraestrutura do que os construídos pelo Hamas em Gaza", disse a capitã.

Os degraus estão perfeitamente delineados e os corredores, de cerca de dois metros de altura e mais de um de largura em vários pontos e pelos quais se pode transitar a pé, adentram no umedecido subsolo até um amplo local com quadro elétrico, telefone e gerador, do qual é possível ver o final dos trilhos pelos quais os milicianos transferiam materiais de trabalho em contêineres.

No total, um quilômetro de túnel está equipado com sistema de ventilação, agora aperfeiçoado, que tem a entrada perto da vila libanesa de Ramyah e chega até os arredores das localidades israelenses de Shtula e Zar'it, onde a saída está em uma depressão de pedra branca e terra rodeada de árvores e vegetação.

Nenhum dos túneis localizados estava em operação mas este, o último descoberto, em janeiro deste ano, era um dos mais avançados, pronto para ser utilizado, declarou Weiss.

A Força de Paz das Nações Unidas no Líbano (FINUL), encarregada de supervisionar a situação na Linha Azul após a guerra de 2006, confirmaram que pelo menos dois dos túneis achados cruzavam a demarcação, o que constitui uma violação da resolução 1701 da ONU.

Para o exército israelense, a campanha "Escudo Norte" de neutralização de túneis, que começou em 4 de dezembro de 2018 e terminou em janeiro deste ano, desmantelou os planos de "efeito surpresa" preparados pelo Hezbollah, embora não tenha podido assegurar que o grupo não realiza mais escavações.

Israel segue construindo trechos de um muro de cimento que separa os dois países nas zonas urbanas e habitadas, contra o qual as autoridades libanesas que estão em desacordo devido ao traçado atual da separação entre ambos os países, que ainda não foi delimitado de modo oficial.

"Estamos observando muito de perto, a cada minuto, a cada dia", advertiu Weiss sobre uma fronteira sensível em um momento de aumento da tensão geopolítica regional. EFE

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