Topo

Mercosul quer usar acordo com UE como estímulo para se tornar mais dinâmico

15/07/2019 20h41

Natalia Kidd.

Santa Fé (Argentina), 15 jul (EFE).- O Mercosul deu início nesta segunda-feira, na cidade de Santa Fé, na Argentina, às reuniões preparatórias para a cúpula semestral do bloco, encontro que visa modernizar o funcionamento e aproveitar o histórico acordo comercial com a União Europeia (UE) para dinamizar a agenda da organização.

As resoluções acertadas hoje pelos representantes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai serão mostradas aos chanceleres dos quatro países do bloco amanhã. Mas o clima das discussões é completamente diferente do visto no ano passado, quando havia entre os diplomatas certa insatisfação pela falta de avanços no processo de integração do Mercosul.

"Quebrou-se o feitiço do Mercosul, que não negociava nenhum grande acordo com esta ambição", disse o secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Ministério das Relações Exteriores, Pedro Miguel da Costa e Silva, coordenador do Brasil no Mercosul, ao ressaltar o pacto assinado no último dia 28 de junho.

O acordo, que criará uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, entusiasmou os integrantes do Mercosul, que há tempos não firmava um tratado comercial de peso e que precisa abrir novos mercados para dar novo estímulo à economia da região.

Os quatro membros do Mercosul disseram nesta segunda-feira que estão dispostos a aceitar que o acordo com a UE entre em vigor bilateralmente, assim que for aprovado pela Eurocâmara e pelos respectivos parlamentos dos integrantes do bloco europeu.

O secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, Horacio Reyser, destacou em entrevista coletiva que o pacto com a UE consolida o Mercosul como uma "plataforma de integração com o mundo".

"É um passo que consolida o Mercosul, que esperávamos há muito tempo. Estamos fazendo um acordo com um bloco que representa 20% do PIB global, sendo um dos acordos mais relevantes e mais importantes da história dos últimos anos", ressaltou.

Os integrantes do Mercosul consideram que o acordo dará impulso a outras negociações em andamento, como as com a Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA), que reúne Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein. O bloco também dialoga atualmente com Canadá, Coreia do Sul e Singapura.

Um dos objetivos da cúpula desta semana é aprovar uma série de resoluções para modernizar a estrutura do Mercosul e dinamizar o funcionamento do bloco, atrapalhado pela burocracia.

"É o Mercosul 2.0. Queremos deixá-lo mais ágil e mais eficiente", disse à Agência Efe uma fonte com conhecimento das negociações sobre a modernização do bloco.

Entre as medidas que podem ser adotadas estão a adoção de um orçamento único para o bloco, a inclusão de assinaturas digitais e a possibilidade de os grupos de trabalho se reunirem por videoconferência. Hoje, as reuniões são obrigatoriamente presenciais.

O Mercosul também discute um plano de revisão da tarifa externa comum, taxa que é aplicada há 25 anos sobre os bens importados pelo bloco. No entanto, o debate definitivo sobre a questão será realizado no início do próximo ano.

Já há consenso, porém, para assinar em Santa Fé um acordo para eliminar a cobrança do 'roaming' na telefonia celular dentro do Mercosul. Desta forma, seriam eliminadas as taxas de deslocamento cobradas dos usuários que estiverem fora de suas áreas de cobertura quando viajarem para um dos quatro países do bloco.

O acordo será assinado na quarta-feira, antes do início da cúpula, pelos presidentes da Argentina, Mauricio Macri, do Brasil, Jair Bolsonaro, do Paraguai, Mario Abdo Benítez, e do Uruguai, Tabaré Vázquez.

A cúpula também contará com a presença do presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e da Bolívia, Evo Morales. Os chilenos são um país associado ao Mercosul, e os bolivianos negociam a adesão ao bloco.

A Venezuela segue excluída das reuniões. Em 2017, o país foi suspenso pelos demais integrantes do bloco, que consideraram que houve uma "ruptura da ordem democrática" por parte do governo de Nicolás Maduro. EFE

Internacional