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Mourão defende que política externa do Brasil seja flexível e pragmática

15/07/2019 17h17

Rio de Janeiro, 15 jul (EFE). O vice-presidente Hamilton Mourão defendeu nesta segunda-feira que o Brasil adote uma política externa flexível e pragmática, que permita que o país se relacione com todo o mundo, independente de posições ideológicas.

"Na política externa, em um mundo conflituoso como o de hoje, com países competindo por mercados, com protecionismo, migrações, problemas climáticos e outros conflitos, temos que ser flexíveis e pragmáticos", afirmou Mourão em entrevista concedida a correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro.

O vice-presidente afirmou que essa estratégia torna possível não só a aproximação do Brasil aos Estados Unidos, como desejado pelo presidente Jair Bolsonaro, mas também de outros países não tão ideologicamente alinhados ao governo, como China e Rússia.

"Temos que ser flexíveis para não ficarmos presos a uma só linha de ação e poder aproveitar a melhor linha para o país, assim como temos que ser pragmáticos, porque as relações têm que ser de Estado com Estado", explicou o vice-presidente.

Por dar prioridade aos assuntos de Estado, Mourão disse que o Brasil terá relação com qualquer que seja o presidente da Argentina no ano que vem, apesar de Bolsonaro ter declarado em várias oportunidades que apoia a reeleição de Mauricio Macri.

Mourão também destacou que o Brasil aprecia as relações que têm com a China, mesmo com as declarações de Bolsonaro na campanha eleitoral, que davam a entender que o governo buscaria um alinhamento automático com os Estados Unidos.

"Temos que conversar com todas as nações do mundo e sermos pragmáticos para buscar o benefício mútuo em todas as relações", frisou o vice-presidente.

Segundo Mourão, esse pragmatismo permitirá ao Brasil fazer negócios com todos os países no mundo, elevando assim participação nacional no comércio internacional, atualmente limitada a 0,2% do total movimentado no mundo.

"Isso é baixíssimo para um país como o nosso", ressaltou.

Para o vice-presidente, a maior parte dos mal-entendidos sobre a política externa brasileira desde a chegada de Bolsonaro ao poder tem relação com a imagem negativa do governo no exterior.

"Existe uma má vontade com a figura dele. Foi criada a imagem que Bolsonaro era o Átila que tinha chegado para arrasar o Brasil. Mas ele não é, em absoluto, uma pessoa totalmente fora dos padrões aos quais estamos acostumados", garantiu.

Mourão revelou que uma das principais missões que recebeu de Bolsonaro foi viajar à China para reativar a Comissão Chinês-Brasileira de Cooperação, levando a Pequim uma mensagem política para dissipar as dúvidas surgidas durante a campanha eleitoral.

"A missão foi muito bem-sucedida, e a mensagem foi transmitida. Fui recebido pelo próprio presidente da China (Xi Jinping) e estamos conversando diretamente com os chineses, que querem participar das licitações e dos leilões para desenvolver projetos de infraestrutura no Brasil", disse Mourão.

"Ninguém pode prescindir de negociar com a China, cujo mercado é maior que o da União Europeia e o Mercosul juntos. Ninguém pode fugir de negociar com a China. Não podemos desprezar uma relação com nosso maior parceiro comercial, com o qual tivemos no ano passado um comércio de mais de US$ 100 bilhões", acrescentou Mourão.

O vice-presidente afirmou que Bolsonaro deve realizar visita oficial à China em outubro, uma viagem na qual passará por vários países do Oriente Médio e do Japão, onde participará da coroação do novo imperador Naruhito.

Mourão também disse que recebeu de Bolsonaro a missão de reativar as relações de alto nível entre Brasil e Rússia, tarefa que pretende cumprir em outubro, quando receberá o vice-primeiro-ministro russo, Anton Siluanov, para um diálogo bilateral. EFE

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