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Khamenei afirma que Irã responderá ao Reino Unido "no momento apropriado"

16/07/2019 09h17

Teerã, 16 jul (EFE).- O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, advertiu nesta terça-feira que seu país responderá "no momento apropriado" ao Reino Unido por reter um petroleiro iraniano em Gibraltar, o que classificou como "ato de pirataria marítima".

Em discurso diante de importantes clérigos de todo o país, o líder supremo acusou a "malvada Grã-Bretanha" de cometer "um crime" e tentar fazer com que pareça legal.

"A República Islâmica e os elementos fiéis ao sistema não deixarão este ato vicioso sem resposta e responderão no momento e no lugar apropriado", acrescentou o líder.

O petroleiro Grace 1 foi interceptado no início desse mês em Gibraltar pelas suspeitas de que transportava petróleo a uma refinaria da Síria, país em conflito armado há oito anos e sujeito a sanções da União Europeia (UE).

Além de reter a embarcação, quatro tripulantes foram detidos e deixados posteriormente em liberdade após pagar uma fiança, embora a investigação do caso continue em curso.

As autoridades iranianas consideram que esta retenção é ilegal e asseguram que o destino do navio não é a Síria, alegando que os portos desse país não têm capacidade de atraque para um petroleiro desse tamanho.

Em seu discurso de hoje, Khamenei direcionou duras palavras aos países europeus, os quais rotulou de "arrogantes", assinalando que esse é o principal problema para conseguir boas relações com o Irã.

"Se o país que se opõe a eles é frágil, sua arrogância funciona; mas se é um país que sabe lhes fazer frente, serão derrotados", disse o líder, situando o Irã no segundo grupo de países.

Os ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) mantiveram ontem sua pressão ao Irã para que volte a cumprir totalmente o acordo nuclear de 2015, que limita o programa atômico de Teerã em troca da suspensão das sanções internacionais.

No entanto, os Estados Unidos se retiraram em 2018 do pacto e voltaram a impor sanções ao Irã, ao que os demais países signatários não conseguiram resistir, razão pela qual em maio as autoridades iranianas decidiram deixar de cumprir alguns dos seus compromissos.

A esse respeito, Khamenei criticou que o Irã tenha cumprido seus compromissos do pacto e a Europa não, e que agora que o Irã começou a reduzi-los, eles se opõem a isso.

"O processo de redução da implementação dos compromissos do Irã continuará com determinação", ressaltou.

Nesse sentido, após a reunião de ontem dos chefes da diplomacia europeia, o primeiro vice-presidente iraniano, Eshaq Jahangiri, insistiu hoje que se a Europa quer salvar o pacto nuclear deve pressionar os EUA, ao invés do Irã, para que suspenda suas sanções. EFE

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