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Trump diz a congressistas que podem "ir" ou "ficar", mas devem amar os EUA

16/07/2019 19h53

Washington, 16 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não voltou atrás nesta terça-feira em suas críticas contra quatro congressistas democratas ao afirmar que elas podem "ir" ou "ficar", mas garantiu que devem amar os EUA e as acusou de fazerem declarações "horríveis" contra o país.

"Cabe a elas fazer o que quiserem: podem ir, podem ficar. Mas devem amar nosso país e devem trabalhar pelo bem de nosso país", respondeu o governante ao ser questionado pelos jornalistas sobre para onde as congressistas progressistas - que são latinas, muçulmanas e negras - teriam que ir.

Trump disse no domingo que as legisladoras da Câmara dos Representantes Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Rashida Tlaib e Ayanna Pressley deveriam retornar a seus países de origem, o que lhe rendeu uma enxurrada de acusações de racismo e supremacismo branco.

"Tenho vídeos aqui. As declarações mais vis e horríveis sobre nosso país, sobre Israel, sobre outros", disse hoje Trump, que também afirmou "não ter sequer um osso racista".

Em um comentário no Twitter, Ocasio-Cortez ironizou a afirmação do presidente e lhe deu a razão ao assegurar que Trump "não tem sequer um osso racista no seu corpo".

"Você tem uma mente racista na sua cabeça e um coração racista no seu peito", afirmou a legisladora representante dos bairros nova-iorquinos Bronx e Queens.

Ocasio-Cortez é nascida nos EUA, mas de origem porto-riquenha, enquanto Omar nasceu na Somália antes de chegar como refugiada ao território americano junto com sua família.

Tlaib procede de Detroit (Michigan) e seus pais são palestinos, enquanto a afro-americana Ayanna Pressley nasceu em Chicago.

No meio da polêmica, o líder da maioria republicana no Senado dos EUA, Mitch McConnell, pediu aos envolvidos que "reduzissem o tom dessa retórica incendiária".

McConnel, cuja esposa é imigrante e obteve a nacionalidade americana, disse que é "um grande entusiasta da imigração legal. Tem sido grande parte de minha família durante um quarto de século".

Além disso, o líder republicano do Senado disse que todos os envolvidos deveriam aprender uma lição com Antonin Scalia, um ex-magistrado já falecido da Suprema Corte, ao dizer que ele "atacava as ideias, e não as pessoas".

"Acredito que é uma boa lição para todos nós. Desde o presidente até a presidente (da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi), até os novos membros da Câmara, todos temos a responsabilidade de elevar o discurso público", assinalou McConnell.

Ontem, as congressistas condenaram os tweets de Trump em uma entrevista coletiva, na qual também pediram que as pessoas não prestassem muita atenção nessa "distração" do presidente.

"Os líderes fracos se concentram na lealdade a nosso país para evitar debater sobre políticas públicas", afirmou Ocasio-Cortez. EFE

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