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Homens armados sequestram deputada líbia crítica de Hafter em Benghazi

17/07/2019 21h01

Trípoli, 17 jul (EFE).- Um grupo de homens armados sequestrou nesta quarta-feira a deputada do Parlamento em Tobruk (HoR, sigla em inglês para Câmara dos Representantes) Siham Sirgiwa em sua residência na cidade de Benghazi, que é controlada pelo grupo do marechal Khalifa Hafter, o homem forte do país, informaram à Agência Efe fontes de segurança.

Segundo essas fontes, o suposto sequestro teria sido realizado por um comando próximo do marechal, que invadiu a residência, feriu seu marido com um disparo e levou a parlamentar, que está desaparecida desde então.

Nem o governo instalado na cidade vizinha de Al Bayda nem o Parlamento em Tobruk, ambos sob a tutela de Hafter, confirmaram ou desmentiram essa informação.

Sirgiwa, uma das vozes críticas ao cerco que o chamado Exército Nacional Líbio (LNA, na sigla em inglês) mantém sobre a capital Trípoli, denunciou na terça-feira na rede de televisão local "Alhadath TV", um órgão de propaganda de Hafter, a política militar do marechal.

Hafter, cujas tropas controlam a maior parte Líbia e todas as jazidas de petróleo do país, lançou em 4 de abril uma ofensiva para tentar conquistar a capital mesmo com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, na cidade, que na época fazia uma visita oficial ao país, em um claro desafio à comunidade internacional.

Desde então, mais de mil pessoas morreram, entre milicianos e civis, e mais de cinco mil ficaram feridas. Além disso, cerca de 100 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e se transformaram em refugiados internos.

Na segunda-feira, fontes militares do governo sustentado pela ONU em Trípoli (GNA, sigla em inglês para Governo de Concertação Nacional) alertaram que Hafter posicionou novas unidades na pequena população de Wadi Marsit, aparentemente com a intenção de recuperar o controle da cidade de Gharyan, um posto-chave para uma eventual investida contra a capital.

Por sua vez, o LNA, a milícia liderada pelo marechal, pediu aos civis que se afastem das zonas de concentração de forças leais ao GNA, especialmente nas áreas rurais de Salah Eddin e Al Hadaba, próximas a Gharyan e do eixo sul que leva à capital.

A Líbia é um estado falido, vítima do caos e da guerra civil, desde que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contribuiu militarmente para a vitória dos grupos rebeldes sobre a ditadura de Muammar Kadafi há oito anos.

O país tem na atualidade dois governos, um no leste tutelado pelo próprio Hafter e o GNA, cuja autoridade se reduz à cidade de Trípoli e é sustentado pela ONU.

Essa divisão beneficiou várias milícias e grupos mafiosos dedicados ao contrabando de armas, alimentos, combustível e pessoas, o verdadeiro motor de uma arrasada economia nacional. EFE

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