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Mercosul pede justiça para vítimas de ataque a associação judaica argentina

17/07/2019 17h55

Santa Fé (Argentina), 17 jul (EFE).- Os presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, membros plenos do Mercosul, e do Chile, país associado ao bloco, condenaram nesta quarta-feira o atentado terrorista contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em Buenos Aires, que completa 25 anos amanhã, e pediram justiça para as vítimas.

"Acompanhamos a reivindicação da Argentina na busca de esclarecimento e justiça", afirmaram os líderes do Mercosul em uma declaração conjunta divulgada durante a cúpula semestral do bloco, realizada na cidade de Santa Fé, a 467 quilômetros de Buenos Aires.

O atentado, que ocorreu em 18 de julho de 1994 e deixou 85 mortos e mais de 300 feridos, é atribuído pela Justiça da Argentina ao então governo do Irã e ao movimento xiita Hezbollah. Dois anos antes, um ataque à embaixada de Israel em Buenos Aires, que também segue impune, matou outras 29 pessoas.

"Reiteramos nossa firme condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, e reafirmamos nosso apoio às reivindicações por justiça e pela condenação dos responsáveis e cúmplices", disseram os cinco países na declaração conjunta.

Os presidentes também destacaram o compromisso de seus países com a democracia, a liberdade e a convivência pacífica na diversidade como a melhor forma de combater esse tipo de ataque.

"Este aniversário nos convida a lembrar das vítimas e refletir sobre nosso presente e nosso futuro como região, já que depende de nós a construção de sociedades cada vez mais plurais, abertas, que respeitam os direitos humanos e os valores democráticos", diz o documento.

O Irã nunca colaborou com a Argentina para extraditar os suspeitos de serem os responsáveis pelos atentados em Buenos Aires. As investigações do caso também estão repletas de irregularidades e de acusações de encobrimento contra importantes figuras políticas, como os ex-presidentes Carlos Menem (1989-1998) - absolvido neste ano - e Cristina Kirchner (2007-2015).

A atual senadora, candidata à vice-presidência do país nas eleições de outubro, é acusada por ter tentado encobrir a participação de iranianos no ataque por meio de um memorando assinado com a República Islâmica em 2013. Em reiteradas ocasiões, Cristina afirmou que buscava com a parceria a colaboração necessária para investigar o atentado contra a Amia.

Em discurso que encerrou a cúpula do Mercosul, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, agradeceu o apoio dos demais países ao que chamou de "trágico capítulo" da história.

"Os senhores sabem que amanhã completamos 25 anos do atentado terrorista contra a Amia. Quero agradecê-los por todo o apoio que tivemos em relação a este terrível atentado que sofremos há um quarto de século", disse Macri. EFE

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