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Segurança de Notre Dame demorou 30 minutos para acionar bombeiros, diz jornal

17/07/2019 19h20

Nova York, 17 jul (EFE).- Seguranças da catedral de Notre Dame demoraram 30 minutos para acionar o Corpo de Bombeiros após receberem o primeiro alerta sobre o incêndio que destruiu parcialmente um dos principais pontos turísticos da França no último dia 15 de abril.

Os erros dos funcionários da catedral foram revelados pelo jornal americano "The New York Times", que afirma ter tido acesso a diversos depoimentos e documentos sobre o incêndio.

Segundo o "Times", o primeiro alerta surgiu no painel de controle de incêndio de Notre Dame às 18h18 no horário de Paris. O responsável pelo monitoramento relatou o aviso a um segurança, para que ele verificasse se de fato havia fogo no local indicado. No entanto, o guarda foi até o lugar errado, a cobertura de um edifício adjacente ao prédio principal, onde as chamas começavam a se propagar.

O erro, que o "Times" afirma não saber se ocorreu devido a uma confusão na interpretação dos dados do painel de controle ou por um equívoco do segurança ao entender o alerta, fez com que os funcionários de Notre Dame considerassem o aviso como falso e tentassem desativar o sistema.

Quase 25 minutos depois do incêndio ser descartado, um gerente da equipe determinou que a cobertura da catedral fosse verificada. Era tarde demais. O fogo já havia avançado com grande rapidez sobre uma região repleta de madeira antiga.

O "Times" também afirma que Notre Dame esteve mais perto de ser totalmente destruída do que o informado pelas autoridades. O jornal diz que a coragem dos bombeiros, especialmente durante a terceira e a quarta hora da operação para controlar o fogo, permitiu que o monumento de 850 anos fosse salvo.

"O fato de Notre Dame seguir de pé se deve somente aos enormes riscos que os bombeiros correram", afirmou o jornal americano no texto.

Quando as equipes do Corpo de Bombeiros chegaram à catedral, por volta das 19h em Paris, o monumento já estava quase tomado pelas chamas.

"É como começar uma corrida de 400 metros vários metros atrás", disse ao "Times" o subdiretor do Corpo de Bombeiros de Paris, Jean-Marie Gontier.

As equipes decidiram, então, focar na torre norte, onde temia-se que vários dos sinos despencassem das vigas que os prendiam. O impacto poderia fazer a catedral desmoronar completamente.

"Estava claro neste momento que alguns bombeiros estavam entrando na catedral sem saber se iam sair", disse o Ariel Weil, responsável pelo quarto distrito de Paris, onde fica Notre Dame.

Até o momento não se sabe o que causou o incêndio. As investigações apontam duas hipóteses: um curto-circuito ou bitucas de cigarros encontradas em andaimes na cobertura da catedral, que passava por uma reforma. A complexidade do sistema de proteção contra incêndios foi outro dos problemas registrados pelos peritos.

"Com mais de 160 detectores e alertas manuais, ele parecia suficientemente elaborado para detectar fumaça e enviar um alerta", disse o "Times" sobre o sistema, que levou mais de seis anos para ser instalado, um processo que contou com a participação de dezenas de especialistas.

No entanto, na cobertura, não havia dispersores de água para diminuir o impacto de um possível incêndio nem paredes corta-fogo para evitar que as chamas se alastrassem. Além disso, os alertas no painel de controle, segundo o jornal, eram difíceis de entender. EFE

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