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Assassinos de turistas nórdicas são condenados à morte no Marrocos

18/07/2019 12h54

Salé (Marrocos), 18 jul (EFE).- Os três jovens marroquinos que assassinaram e decapitaram duas turistas escandinavas em dezembro do ano passado em uma montanha da Cordilheira do Atlas foram condenados à morte nesta quinta-feira.

O Tribunal de Apelação de Salé (cidade vizinha de Rabat), encarregado de crimes de terrorismo, ditou a pena capital para Abdessamad el Joud (vendedor ambulante de 25 anos), Youness Ouziad (carpinteiro, de 27), e Rachid Afati (carpinteiro, de 33), que pouco antes de cometer sua ação tinham jurado lealdade ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Os três confessaram ser os autores materiais do assassinato da dinamarquesa Louisa Vesterager Jespersen, de 24 anos, e sua amiga norueguesa Maren Ueland, de 28, que foram decapitadas no último dia 17 de dezembro dentro da sua barraca quando faziam montanhismo na cidade de Imlil, onde se preparavam para subir o monte Toubkal, no cume do Atlas.

Os outros 21 julgados por cumplicidade nos fatos em distintos graus foram condenados a penas de entre cinco anos e também à prisão perpétua.

As principais acusações que pesavam sobre todos os condenados eram "formação de grupo criminoso para preparar e cometer atos terroristas", "atentar de forma premeditada contra a vida de pessoas", "comissão de atos selvagens", "posse e uso de armas" e "tentativa de fabricação de explosivos", tudo isso no marco de "um projeto coletivo para atentar contra a ordem pública".

O juiz Abdelatif Amrani seguiu quase ao pé da letra os pedidos da promotoria e condenou à prisão perpétua Abdul Rahman Khayali, outro cúmplice dos autores, que estava a par de tudo, embora não estivesse presente no assassinato.

Os três condenados à morte e Khayali deverão pagar ainda, de forma conjunta, a quantia de 2 milhões de dirhams (cerca de R$ 840 mil) em conceito de indenização para os familiares das vítimas, embora seja improvável que possam fazê-lo dada sua precária condição econômica, uma vez que nem sequer puderam pagar um advogado.

O juiz Amrani, que demorou três horas para efetuar as deliberações prévias ao veredito, leu a sentença em meio a um silêncio total, pois tinha advertido que não toleraria perturbações na sala.

Enquanto os condenados escutaram sua sentença sem pestanejar e foram deixando a sala em grupos, alguns dos familiares presentes não conseguiram conter as lágrimas.

O juiz negou o pedido das defesas de ordenar uma perícia para os acusados pelos seus supostos desequilíbrios psicológicos, assim como desprezou também a responsabilidade civil subsidiária do Estado, solicitada pelos advogados das vítimas pela suposta ineficácia ou negligência em garantir a segurança da população.

As partes têm agora dez dias para apelar da sentença.

Em suas últimas declarações no julgamento, os quatro acusados principais pareceram arrependidos dos seus atos e disseram: "Que Deus nos perdoe", enquanto os outros 20 tentaram se desvincular deles, embora não tenham negado sua ideologia extremista.

Apesar das penas de morte, é improvável que os três acusados principais sejam executados, já que existe no Marrocos uma moratória de fato sobre pena capital, e o último réu executado data de 1993. Mesmo assim, persistem no Código Penal dez crimes que estão castigados com a pena de morte. EFE

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