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Líderes mundiais homenageiam vítimas de ataque à associação judaica argentina

18/07/2019 22h58

Buenos Aires, 18 jul (EFE).- Líderes de todo o mundo homenagearam em um livro as vítimas do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos em 1994 e completou 25 anos nesta quinta-feira.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente Jair Bolsonaro são algumas das lideranças mundiais que deixaram seus nomes no livro "Justiça Perseguirás" apresentado na Casa Rosada, sede do governo da Argentina.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que a homenagem dos líderes ajuda a ampliar a visibilidade do atentado, o mais brutal já registrado na América Latina.

A apresentação do livro encerrou um dia repleto de homenagens aos 85 mortos e mais de 300 feridos no atentado, ocorrido no dia 18 de julho de 1994.

O ataque é atribuído pela comunidade judaica e pela Justiça da Argentina ao então governo do Irã e ao movimento xiita libanês Hezbollah. No entanto, a falta de colaboração entre os dois países impediu que os suspeitos fossem detidos e julgados, deixando o crime impune.

"São 25 anos e uma geração inteira de argentinos testemunhas da impunidade e da falta de justiça. Isso foi um golpe ao país inteiro, ao nosso sistema democrático", disse Macri.

Coincidindo com as homenagens, o governo da Argentina anunciou hoje o congelamento de ativos no país que pertenceriam ao Hezbollah e incluirá o grupo em uma lista de pessoas e entidades vinculadas a atos terroristas, criadas ontem por decreto presidencial.

Diante de vítimas do atentado, parentes dos mortos e representantes da comunidade judaica de todo o mundo, o presidente destacou a decisão de seu governo, mas disse estar ciente de que ela não é suficiente para garantir justiça.

Macri também citou o promotor Alberto Nisman, que trabalha no caso da Amia quando foi encontrado morto em circunstâncias que ainda são investigadas. A morte ocorreu quatro dias depois de Nisman acusar a então presidente do país, Cristina Kirchner, de tentar encobrir a participação de suspeitos iranianos por meio de um acordo com o governo do Irã.

O presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Adrián Werthein, elogiou Macri por ter tomado uma "decisão valente" e "bastante distinta" dos governos anteriores. A entidade foi uma das que organizou o livro apresentado em conjunto hoje.

Além disso, Werthein celebrou que as homenagens tenham ocorrido pela primeira vez na Casa Rosada.

No "Justiça Perseguirás", 14 líderes políticos do mundo homenageiam as vítimas do ataque à Amia, que ocorreu dois anos depois de um outro atentado deixar 29 mortos e destruir a embaixada de Israel em Buenos Aires.

"Os Estados Unidos nunca se esqueceram das 85 vítimas que viram suas vidas serem tragicamente interrompidas no atentado à Amia", escreveu Trump.

Já Merkel afirmou que a luta contra o ódio à comunidade judaica é um "trabalho de todos" e lamentou que o ataque "perturbou a confiança" dos alemães que encontraram refúgio na Argentina após fugirem do terror do nazismo.

Também enviaram mensagens para o livro a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e o presidente de Israel, Reuven Rivlin. EFE

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