Topo

Turquia suspende acordo de readmissão de imigrantes com União Europeia

22/07/2019 14h29

Istambul, 22 jul (EFE).- O governo da Turquia declarou nesta segunda-feira que suspendeu o acordo de readmissão de imigrantes fechado com a União Europeia em 2016, em resposta às sanções anunciadas pelo bloco contra Ancara pela exploração de gás em águas do Chipre.

O anúncio do ministro das Relações Exteriores, Mevlüt Çavusoglu, foi feito durante uma entrevista à emissora "TGRT", na qual vinculou a medida com as últimas sanções e com o fato de a UE ainda não ter suspendido a exigência de vistos para os cidadãos turcos.

Pelo acordo, vigente desde abril de 2016, a Turquia se comprometia a readmitir os refugiados sírios que zarpassem de seu litoral rumo às ilhas gregas em troca, por um lado, de 6 bilhões de euros em ajuda e, por outro, de acelerar as negociações para eliminar a cobrança de visto a partir de junho daquele mesmo ano.

"O acordo de readmissão e a isenção do visto entrariam em vigor ao mesmo tempo. Suspendemos o acordo de readmissão", disse o ministro.

Çavusoglu afirmou que as sanções da UE, como o congelamento de várias negociações e de outras ajudas econômicas, em resposta à atividade de navios perfuradores turcos em águas cipriotas, "carecem de valor" e pediu a Bruxelas "que atue como mediador" em vez de ficar ao lado do Chipre.

O acordo de readmissão, assinado em março de 2016, prevê que todos os imigrantes que chegam às ilhas gregas situadas em frente ao litoral turco serão devolvidos à Turquia.

No caso específico dos sírios, para cada refugiado do país que for devolvido à Turquia, um solicitante de asilo residente em território turco será realocado na UE.

Após a assinatura do plano, o número de imigrantes que chegavam às ilhas gregas caiu drasticamente: de 150 mil pessoas por mês no verão de 2015 e 50 mil no início de 2016 se chegou a uma média de 3 mil mensais.

No entanto, o número de readmissões é baixo: nos mais de três anos transcorridos, apenas 1.884 pessoas foram devolvidas dentro do acordo, entre elas 357 sírios, segundo dados do Ministério de Interior turco.

O ministro do Interior turco, Süleyman Soylu, insinuou no sábado que a Turquia pode utilizar o controle da migração irregular como ferramenta de pressão sobre Bruxelas.

"É óbvio que a Europa nos abandonou neste assunto. Não adianta dar tapinhas nas costas. Se a Turquia não tomasse medidas tão decididas, nenhum governo da Europa aguentaria sequer seis meses. Se vocês quiserem, podemos provar", disse Soylu, segundo a agência "Anadolu". EFE

Internacional