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Venezuela denuncia pressão dos EUA a Não Alinhados para impedir reunião

22/07/2019 19h51

Caracas, 22 jul (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, denunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos pressionaram os integrantes do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) para que não comparecessem à reunião ministerial ocorrida no último fim de semana em Caracas e comemorou o fracasso da suposta manobra de Washington.

"Esta cúpula (...) foi vítima e esteve sujeita a pressões por parte da diplomacia americana. Talvez alguns delegados em alguma oportunidade poderão relatar as ligações que receberam, a pressão que receberam em suas capitais (...) para que não viessem à Venezuela", disse Arreaza em entrevista coletiva.

O chanceler venezuelano comemorou o suposto fracasso do que chamou de "diplomacia da guerra" e afirmou que participaram do encontro as 120 delegações dos países-membros do movimento.

"Também compareceram as organizações convidadas, os países observadores e alguns países convidados especialmente à Venezuela, como o caso da República Popular da China e também do vice-ministro da Federação da Rússia, Sergei Ryabkov", acrescentou Arreaza.

O ministro venezuelano ressaltou que o encontro foi um sucesso e que as delegações dos países reconheceram a "liderança" do governante Nicolás Maduro, cuja legitimidade é questionada pela oposição e por parte da comunidade internacional após sua eleição em um pleito no qual os principais líderes da oposição não puderam participar.

"Não vão conseguir isolar a Venezuela, independentemente do que façam", afirmou o chanceler em relação às ações que os Estados Unidos empreenderam contra o governo de Maduro.

Além disso, Arreaza garantiu que os 120 países-membros do MNA manifestaram intenção de realizar "ações concretas se os EUA por acaso se atreverem a desafiar as credenciais oficiais da Venezuela nas Nações Unidas".

O chanceler também se referiu às denúncias de que existe uma crise humanitária no país ao apontar que, desde setembro, teve encontros com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a quem manifestou que o país está disposto a aceitar doações através da organização.

"Bom, estamos esperando, parece que não era tão urgente, parece que não havia tanta emergência na Venezuela, porque, desde fevereiro, o sistema das Nações Unidas está trabalhando em um plano de resposta para esse tema em relação à Venezuela e ainda não têm um dólar", acrescentou o chanceler.

Nesse sentido, Arreaza culpou países como EUA e Canadá por supostamente tentarem realizar uma "grande operação" contra o país sul-americano.

"Não vão querer doar, porque, na realidade, a Venezuela não lhes interessa", acusou. EFE

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