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Itália ordena o desembarque dos 28 menores que estão no navio Open Arms

17/08/2019 10h48

Roma, 17 ago (EFE).- A pedido do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, e apesar da discordância do ministro do Interior, Matteo Salvini, as autoridades italianas ordenaram neste sábado o desembarque na ilha de Lampedusa dos 28 menores não acompanhados que estão entre os 134 resgatados a bordo do navio Open Arms.

A polícia italiana já está no píer do porto de Lampedusa para o início das operações de desembarque do navio da ONG espanhola Open Arms, que anunciou "estado de necessidade" neste sábado, após mais de duas semanas sem poder desembarcar os migrantes.

Conte havia enviado pela segunda vez uma carta a Salvini insistindo para que permitisse o desembarque imediato dos menores. O líder da extrema-direita respondeu que, apesar de discordar, acatou a solicitação.

"Como outro exemplo de parceria leal, tomarei medidas para que não haja obstáculos à execução desta ordem", declarou Salvini, ao ressaltar que a sua posição a respeito do assunto não mudou e criticar que, "enquanto Madri não movimenta um músculo, as pressões se multiplicam sobre a Itália".

A Justiça italiana também ordenou uma inspeção médica no navio da Open Arms para constatar as condições de higiene e saúde dos 134 migrantes a bordo.

A ordem foi dada neste sábado pela Procuradoria da cidade de Agrigento, na Sicília, que desde a sexta-feira realiza uma investigação por um suposto crime de sequestro de pessoas, contra ninguém concretamente. Os médicos encarregados verificarão especialmente o estado dos menores de idade.

Tudo isso depois que a ONG espanhola declarou o "estado de necessidade" do navio, enquanto Salvini continua a proibir que a embarcação atraque em algum porto do país, embora um tribunal italiano já tenha rejeitado essa ordem.

"Depois de 16 dias à espera de um porto seguro para desembarcar, de seis evacuações médicas e de ter informado sobre a nossa situação às autoridades, sem que tenhamos obtido nenhuma resposta, estamos em situação de necessidade e não podemos mais garantir a segurança das 134 pessoas a bordo", informou uma porta-voz da ONG espanhola.

O navio Open Arms está proximo ao litoral da ilha de Lampedusa, no sul da Itália, há dois dias. O fundador da organização, Oscar Camps, pediu neste sábado para que a Itália permita o desembarque dos migrantes, já que a ONG não pode mais garantir a segurança a bordo e teme um motim. Segundo ele, tanto os resgatados como a tripulação estão "sequestrados".

Camps apelou ao presidente do governo espanhol interino, Pedro Sánchez, para que "proteja os direitos dos cidadãos espanhóis que estão encarregadas da segurança das pessoas em uma embarcação com bandeira espanhola que está sequestrado em águas italianas". EFE

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