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Rússia condena teste com míssil de cruzeiro anunciado ontem pelos EUA

20/08/2019 11h07

Moscou, 20 ago (EFE).- O governo da Rússia condenou nesta terça-feira um teste com um míssil de cruzeiro realizado pelos Estados Unidos, menos de três semanas depois que chegasse ao fim o prazo do tratado de eliminação deste tipo de armamento, de curto e médio alcance.

"Tais ensaios demonstram, mais uma vez, que desde o início os americanos buscaram a suspensão do acordo", afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.

O representante do governo garantiu que a realização do teste coincidiu com a reunião realizada ontem entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da França, Emmanuel Macron.

"Isso confirma mais uma vez que não foi a Rússia, mas sim os Estados Unidos que levaram, com suas ações, ao fim do tratado", garantiu o porta-voz.

O acordo, chamado de INF, foi o primeiro de desarmamento após a Guerra Fria, tendo sido assinado em 1987.

O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, garantiu estar em alerta com as intenções do governo americano, que visam, segundo ele, "ampliar a potência desestabilizadora", com os mísseis de médio alcance, que agora não estão mais regulados.

O chanceler disse ter sérias dúvidas que os Estados Unidos conseguiriam organizar do zero, a partir do fim do tratado, o teste que foi divulgado ontem pelo Pentágono.

"Nesse tempo, é praticamente impossível. A não ser, que eles tenham preparado de antemão", garantiu Ryabkov.

O vice-ministro ainda destacou que Putin deixou claro em Paris, durante o encontro com Macron, que a Rússia seguirá respeitando a moratória sobre o uso de mísseis de curto e médio alcance, no entanto, se os Estados Unidos fizerem o mesmo.

Pouco depois do fim do INF, o presidente russo tentou estabelecer diálogo com os Estados Unidos, segundo ele, visando garantir a estabilidade e a segurança mundial, sem sucesso.

O governo americano deixou o tratado, diante da negativa de Moscou de destruir o míssil de cruzeiro Novator 9M729 (SSC-8, segundo a classificação da OTAN), que supostamente violava as normas estabelecidas, por ter alcance de mais de 500 quilômetros.

Putin ainda diz que os EUA violaram o INF anteriormente, quando foram instaladas plataformas de lançamento verticais MK-41 para mísseis de cruzeiro Tomahawk, na Romênia e Polônia.

Ontem, o Pentágono anunciou a realização do teste com míssil de cruzeiro, que foi lançado de uma plataforma de lançamento móvel na ilha de San Nicolas, na Califórnia, causando impacto a mais de 500 quilômetros de distância. EFE

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