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Chefe do Comando Sul dos EUA diz que planeja "dia seguinte" à queda de Maduro

22/08/2019 21h14

Natal, 22 ago (EFE).- O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, almirante Craig Faller, afirmou nesta quinta-feira que a única preocupação militar do país sobre a situação da Venezuela é trabalhar no planejamento do que chamou de "dia seguinte" à queda do regime de Nicolás Maduro.

Em visita a Natal, onde participou de uma reunião com os chefes de Estado-Maior das Forças Armadas dos países da região, Faller negou em entrevista coletiva que os EUA estejam planejando uma intervenção militar na Venezuela e disse que a preocupação do Comando Sul é apoiar a transição democrática no país após o fim do regime de Maduro.

"O foco militar do Comando Sul é planejar o dia seguinte a Maduro. Nossa prioridade é dar apoio aos esforços do governo dos EUA para pressionar Maduro, que são esforços pensados para facilitar uma transição democrática na Venezuela", afirmou.

"A única intervenção, a única invasão na Venezuela foi a promovida por Cuba, pela Rússia e por outros atores externos que não apreciam a democracia", continuou o almirante.

Faller veio ao Brasil para participar da Conferência Sul-Americana de Defesa (SouthDec), que reuniu oficiais do alto escalão das Forças Armadas dos países da região em Natal, no Rio Grande do Norte. O foco do evento, segundo o almirante, foi a cooperação regional para responder a desastres, incluindo a tragédia humanitária na Venezuela.

"É importante que nos concentremos nos fatos e eles nos dizem que Maduro provocou uma crise, um desastre que afeta não só a população da Venezuela, mas também tem um impacto na segurança de todos os países da região", disse o almirante americano.

Para o chefe do Comando Militar do Sul dos EUA, a reação da comunidade internacional à crise da Venezuela focou em pressionar Maduro para promover uma transição democrática no país.

"Maduro está isolado e perdendo amigos. E a comunidade internacional está unida", afirmou Faller.

Na mesma entrevista coletiva, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil, tenente-brigadeiro Raul Botelho, disse que nos dois dias de reunião em Natal os representantes dos vários países que participaram do encontro analisaram os problemas que afetam o setor de defesa na América do Sul e entraram em acordo sobre forças de cooperação.

"No debate sobre ações para levar ajudar humanitária e atender desastres, evidenciamos uma extrema complexidade que nos remeteu a situações correntes que já vivemos, como os desafios, mecanismos e a capacidade de resposta regional para atender à crise humanitária na Venezuela", disse ele.

"Realmente nos concentramos muito no assunto da ajuda humanitária à Venezuela porque todos os países que participaram da reunião receberam determinados contingentes de refugiados venezuelanos. Cada um tem seu tipo de problema por esse assunto e sua estratégia de assistência", completou o tenente-brigadeiro.

Botelho citou que o governo federal lançou em março a chamada Operação Acolhida para receber os refugiados venezuelanos que entram no Brasil. O plano visa oferecer a eles assistência, tratamento médico e documentação. Depois, eles são levados a outras cidades do país para buscar empregos.

"Hoje temos cerca de 14 mil venezuelanos com trabalho em outras cidades. Mas em Boa Vista ainda há 6 mil refugiados esperando ser enviados a outros destinos", disse Botelho. EFE

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