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Cúpula do G7 transforma Biarritz em cidade blindada

22/08/2019 21h50

Marta Garde.

Paris, 22 ago (EFE).- Capital do mundo durante três dias, de sábado (24) a segunda-feira (26), devido à realização da cúpula do G7, Biarritz, na França, se tornará uma cidade blindada, com vigilância terrestre, aérea e marítima, além das fortes restrições para moradores.

A pequena cidade, que faz parte da Comunidade de Aglomeração do País Basco (uma das divisões administrativas francesas), tem cerca de 25 mil habitantes, de acordo com o último censo. Porém, neste fim de semana, o clima turístico e bucólico dará lugar à presença de delegações dos participantes, além de diversos jornalistas, o que deve representar a presença de mais 7,5 mil pessoas.

O centro de Biarritz foi dividido em duas áreas. A primeira terá proteção reforçada, porque inclui o hotel em que vai acontecer a cúpula. Abrangerá o litoral, terá proibição de tráfego e estacionamento, e a permissão de acesso será apenas para moradores e trabalhadores da região mediante credenciamento.

A segunda, que abrange os arredores do centro da cidade, terá autorização parcial de trânsito de veículos. A partir de sexta-feira, inclusive, haverá necessidade de um passe específico.

O prefeito de Biarritz, Michel Veunac, calcula que as restrições afetam diretamente 25% da população, com acesso vetado à praia principal da cidade e à realização de atividades náuticas.

A França, que já havia recebido a cúpula do G7 em 2011, na cidade balneário de Deauville, disponibilizou 13,2 mil policiais, que receberão apoio de militares, mais de 450 bombeiros e 13 equipes móveis de resgate. O esquema visa conter manifestações violentas, atos de terrorismo e ataques cibernéticos.

Mas o foco das autoridades não estará apenas em Biarritz, onde o presidente da França, Emmanuel Macron, receberá os líderes de Alemanha, Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Canadá e Japão, além de outros chefes de Estado, representantes de organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Simultaneamente haverá uma contra-cúpula promovida por organizações como a Associação pela Tributação das Transações Financeiras para Ajuda aos Cidadãos (Attac), que concentrará os protestos em Hendaye, na França, e Irún, na Espanha, cujo governo também enviará policiais para a fronteira.

Entre os promotores do protesto alternativo está Egoitz Urrutikoetxea, filho de Josu Ternera, um dos históricos líder da organização terrorista ETA. A expectativa é de que mais de 10 mil pessoas participem do ato.

De amanhã até segunda-feira, o aeroporto de Biarritz não fará qualquer voo comercial, ficando aberto apenas para as delegações oficiais participantes da Cúpula. A estação de trem local também terá o funcionamento limitado.

Por outro lado, alguns comerciantes mostram preocupação com a cúpula - temem por uma queda significativa no faturamento.

"O Estado estuda possíveis indenizações se houver perdas, e a cidade dispõe de meios para diminuir as taxas daqueles que forem penalizados. Biarritz não será um 'bunker' e, sobretudo, não será uma cidade morta", prometeu o prefeito.

Os benefícios de estar no foco midiático, no entanto, não convencem a todos os habitantes. No Facebook, a página SOS G7 Biarritz, que denuncia as restrições previstas, conta com mais de 11 mil seguidores, e a prefeitura precisou habilitar em seu site uma seção dedicada a desmentir mentiras.

Entre as notícias falsas, houve quem disse que os comércios teriam que fechar e que os serviços de emergências não poderiam entrar na área protegida. Tudo isso devido ao frenesi que acompanha uma das principais reuniões internacionais.

Apesar de tudo, o ministro do Interior da França, Christophe Castaner, declarou na terça-feira passada que a organização da cúpula é uma honra. Ao mesmo tempo, ressaltou que não tolerará qualquer incidente violento e que o governo cuidará para que o esquema de segurança cause o menor transtorno possível. EFE

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