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México lança plano de integridade empresarial para combater corrupção

22/08/2019 21h41

Cidade do México, 22 ago (EFE).- A corrupção no México custa entre 5% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e, para combater a prática lesiva à economia, o governo de Andrés Manuel López Obrador se uniu a empresas para apresentar um plano conjunto.

O projeto foi apresentado nesta quinta-feira pela secretária da Função Pública, Irma Eréndira Sandoval. Em entrevista coletiva, ela apresentou o Padrão de Integridade Empresarial, uma plataforma digital criada pelo governo para integrar a iniciativa privada e reconhecer o bom comportamento das companhias. A ideia é dar vantagens às mais transparentes e assim evitar a prática da corrupção.

"Estamos orgulhosos de lançar esse censo e de ter dado passos firmes na construção de uma ferramenta fundamental que estabelecerá as bases para uma nova ética", afirmou a secretária, acompanhada de vários líderes do mundo empresarial mexicano.

O combate à corrupção foi uma das principais promessas do presidente do México, que assumiu o poder em 1º de dezembro de 2018. Segundo Sandoval, as empresas perdem mais de 1,6 bilhão de pesos mexicanos (US$ 81 milhões) em propinas e deixam de gerar 500 mil empregos por ano.

"Perto de 60% das propinas do mundo ocorreram para vencer algum contrato com o setor público", disse a secretária.

As empresas poderão se registrar de forma voluntária no Padrão de Integridade Empresarial. A plataforma avaliará se elas estão adotando práticas corretas de comportamento e sendo transparentes.

O diretor de Vinculação com o Setor Empresarial da Secretaria de Função Pública, Carlos Villalobos, principal idealizador do projeto, disse que a plataforma quer fomentar a cultura da integridade e assim promover a mudança que o México precisa para acabar com a corrupção.

"O objetivo é que (o projeto) nos ajude a combater a corrupção, controlar e prevenir as más práticas, além de implementar programas de ética e integridade. Mas, sobretudo, queremos promover a competitividade no setor empresarial e gerar confiança na atuação das empresas e do governo", explicou.

Já serão incluídos no sistema todas as empresas que prestam serviços ao governo do México. No entanto, as demais companhias com atuação no país também poderão se cadastrar no Padrão de Integridade Empresarial, que foi inspirado em práticas similares já adotadas no Chile e na Inglaterra.

O processo de registro inclui cinco módulos. Os empresários terão que preencher dados de identificação, os serviços prestados, fornecer informações trabalhistas e ter um programa de integridade.

"Assim que (as empresas) cumpram os cinco módulos, elas obterão um selo e farão parte do grupo de empresas comprometidas com a legalidade e a transparência", disse Villalobos.

O presidente da Confederação de Câmaras Industriais (Concamin), Francisco Cervantes, disse que a entidade continuará trabalhando de perto com o governo para promover políticas públicas que ajudem a desenvolver o país.EFE

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