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Embaixada do Brasil em Caracas é alvo de protesto por incêndios na Amazônia

23/08/2019 15h34

Caracas, 23 ago (EFE).- Um grupo de ativistas protestou nesta sexta-feira em frente à embaixada do Brasil em Caracas, capital da Venezuela, para exigir o fim dos incêndios que há dias se alastram pela Amazônia e denunciar que a floresta está sendo afetada pela mineração.

"Chegamos a um momento extremo, extremamente perigoso para a espécie humana no planeta. Em breve vamos ver as consequências. É preciso atacar os incêndios o mais breve possível", disse a jornalistas o professor universitário Francisco Velasco, que representava as organizações que convocaram o protesto.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem e mostraram mensagens contra a mineração. O presidente Jair Bolsonaro foi responsabilizado pelos incêndios e pelo desmatamento na Amazônia. Parte da floresta está no território da Venezuela.

Velasco alertou que os incêndios aumentam as emissões de gases do efeito estufa e que isso agravará a crise climática, que se manifestará em variações nos padrões de chuva ou secas mais pronunciadas.

"É um terrível crime que está sendo cometido contra o planeta. É uma política de extermínio por parte de alguns governos em aliança com multinacionais", afirmou o professor.

Os ativistas também criticaram a política ambiental do governo de Nicolás Maduro, que promoveu o desmatamento de parte da Amazônia venezuelana no chamado Arco de Mineração do Orinoco. Com o projeto, o chavismo prevê gerar 33 bilhões de euros nos próximos seis anos como alternativa à produção de petróleo, principal fonte de riqueza do país.

Sobre os incêndios, a deputada opositora María Gabriela Hernández, presidente da subcomissão para a Mudança Climática do parlamento da Venezuela, destacou a importância de evitar na Amazônia a devastação que o chavismo promove no arco de mineração.

A parlamentar propôs uma reunião emergencial do chamado Parlamento Amazônico, um órgão supranacional integrado por deputados de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

"Pedimos aos parlamentos dos oito países que formam a Amazônia uma grande reunião de emergência para constituir o Parlamento Amazônico e coordenar ações tanto para conter o fogo como para evitar novos incêndios. A maior floresta tropical do mundo não tem fronteiras e é nossa responsabilidade cuidar dela", disse Hernández.

Ontem, Maduro propôs ao Brasil uma "modesta ajuda" para combater os incêndios e pediu que os esforços para preservar a vida no planeta sejam multiplicados. Para o presidente da Venezuela, a Terra sofre um "grande ferimento com o voz incêndio que consome a Amazônia". EFE

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