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Fumaça cobre a Amazônia e põe Bolsonaro contra as potências europeias

23/08/2019 16h19

Porto Velho, 23 ago (EFE).- Uma densa nuvem de fumaça negra cobria nesta sexta-feira a cidade de Porto Velho, em Rondônia, no coração da Amazônia, devido aos incêndios que se alastram pela floresta desde a semana passada, uma crise que coloca o governo de Jair Bolsonaro em uma posição de confronto com grande parte da comunidade internacional.

Em um sobrevoo pela região, a Agência Efe constatou que a visibilidade ruim atrapalha o trafégo aéreo. A magnitude de um dos focos de incêndios na floresta profunda, a cerca de 65 quilômetros de distância de Porto Velho, chegava a dois quilômetros de extensão. A coluna de fumaça provocada pelo fogo atingia 800 metros de altura.

A paisagem era marcada por áreas que visivelmente foram desmatadas anteriormente e também pelo cinza da vegetação que o fogo consumiu nos últimos dias.

A toxicidade presente na fumaça dos incêndios florestais dobrou o trabalho dos médicos nos hospitais de Rondônia. O número de atendimentos de pacientes com problemas respiratórios devido ao fogo que arde na Amazônia duplicou na última semana.

O impacto causado pela crise em um mundo cada vez mais sensível à emergência climática foi enorme e as preocupações foram verbalizadas por vários líderes mundiais.

O mais enfático deles foi o presidente da França, Emmanuel Macron, que hoje ameaçou vetar o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul se o Brasil não proteger a Amazônia.

Com apoio da chanceler da Alemanha, Ángela Merkel, Macron já havia anunciado que levaria a questão às discussões da cúpula do G7, que começou hoje em Biarritz, na França. Para ele, os incêndios na Amazônia são uma "crise internacional".

Bolsonaro respondeu ontem Macron pelo Twitter, acusando o presidente francês de ter "mentalidade colonial" por convocar uma reunião sobre a Amazônia sem a presença do Brasil e de utilizar um tom sensacionalista para se referir à floresta.

"Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais", escreveu Bolsonaro.

Hoje, o presidente manteve o tom e, ao participar de uma cerimônia pelo Dia do Soldado no Quartel-General do Exército em Brasília, disse haver uma "guerra de informação" em curso sobre os incêndios na Amazônia.

"Meus irmãos militares, população brasileira, vamos marchar para o sucesso. Não nos faltam inimigos, como os de sempre, que temo ganharem a guerra da informação contra a verdade", disse Bolsonaro em discurso no evento.

Bolsonaro reproduziu assim uma teoria da conspiração já divulgada por outros integrantes do governo de que haveria uma ataque coordenado entre algumas grandes potências e ONGs, acusadas sem provas pelo presidente de estarem por trás dos incêndios.

O comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, também falou sobre a situação ao ler a ordem do dia antes do início da cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado.

"Aos incautos que insistem em tutelar os desígnios da brasileira Amazônia, não se enganem. Os soldados do Exército de Caxias estão sempre atentos e vigilantes, prontos para defender e repelir qualquer tipo de ameaça", disse o general. EFE

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