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Governo do Equador prevê chegada de até 10 mil venezuelanos até domingo

24/08/2019 20h31

Daniela Brik.

Tulcán (Equador), 24 ago (EFE).- O governo do Equador prevê que cerca de 10 mil venezuelanos tentem entrar no país através da fronteira com a Colômbia, antes que entre em vigor nesta segunda-feira a obrigatoriedade de um visto humanitário de acesso.

Na Ponte Internacional de Rumichaca, principal passagem fronteiriça entre Equador e Venezuela, hoje o fluxo de venezuelanos foi maior do que nos últimos meses, segundo registraram as autoridades locais.

Segundo o governador da província de Carchi, onde fica o ponto de entrada no território equatoriano, Edin Moreno, a expectativa era que o número de refugiados variasse de 9,5 a 10 mil pessoas, entre sexta-feira e amanhã.

De acordo com fontes no local, o fluxo já vem aumentando desde quinta-feira, e a previsão é de um movimento maior no domingo, com previsão de 5 mil refugiados por dia, o que pode indicar um montante ainda maior.

Entre os imigrantes, não faltam casos de pessoas que aceleraram o trajeto, para entrar no país sem o visto humanitário que será exigido.

"Estou há seis dias viajando. Foi difícil, porque saí sem dinheiro, mas chegamos logo, porque nos falaram que iriam fechar a fronteira", disse à Agência Efe Rodolfo Obrero, de 28 anos, que vivia no estado de Anzoátegui, na Venezuela, que chegou ontem ao local e espera conseguir ir até o Peru, onde afirma ter trabalho.

O Ministério das Relações Exteriores do Equador reforçou neste sábado que a exigência do visto humanitário para venezuelanos terá início na segunda-feira. Além disso, divulgou que os refugiados que entraram no país entre 26 de julho e 25 de agosto não serão beneficiados do processo de anistia anunciado.

Além disso, os cidadãos da Venezuela que entraram no território equatoriano dias antes do acirramento das exigências, não poderão participar do processo de solicitação do visto humanitário.

Equador e Colômbia implementaram, diante da previsão de aumento do número de imigrantes, planos de contingência nos dois lados da fronteira, com o objetivo de evitar tumultos derivados do grande número de pessoas aglomeradas.

Integrantes das Forças Armadas dos dois países, assim como voluntários de agências humanitárias estão atuando no local.

Hoje, famílias com crianças que chegavam na passagem fronteiriças, recebiam braceletes azuis numerados, em medida para tentar ordenar a tramitação da entrada no Equador.

As equipes que atuam região indicaram que houve uma mudança com relação ao perfil dos refugiados da Venezuela que tentavam entrar no país, com relação aos grupos que chegaram um ano atrás.

"Atualmente, a população venezuelana que está entrando no país, não conta com recursos para continuar a viagem, ou sofreram roubos, ou não têm documentos", disse Joel Vera, técnico da Cruz Vermelha Equatoriana.

Com a medida de exigir o visto humanitário, o governo do Equador pretende regularizar a entrada de refugiados da Venezuela, que segundo órgãos internacionais pode chegar a 500 mil até o fim deste ano.

Segundo a Organização Internacional de Migração e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 4 milhões de pessoas já deixaram o país presidido por Nicolás Maduro. EFE

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