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Negociador dos EUA para a paz no Oriente Médio deixará o cargo

05/09/2019 15h12

Washington, 5 set (EFE).- O enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, Jason Greenblatt, anunciou nesta quinta-feira que em breve deixará o cargo, após mais de dois anos trabalhando em um plano de paz entre israelenses e palestinos que ainda não foi apresentado, embora os Estados Unidos garantam que já foi concluído.

"Foi a honra da minha vida ter trabalhado na Casa Branca durante mais de dois anos e meio sob a liderança do presidente Trump", disse Greenblatt em e-mail enviado à Agência Efe.

O próprio Trump confirmou pelo Twitter que Greenblatt deixará o governo "para buscar trabalho no setor privado", e disse que sentirá saudades do "compromisso com Israel e com a busca da paz entre Israel e palestinos".

A saída aumenta as dúvidas sobre o futuro do plano de paz, projetado por Greenblatt e o genro e assessor de Trump, Jared Kushner, mas cuja apresentação foi atrasada indefinidamente.

"O plano já está terminado e será divulgado quando for apropriado", comentou um alto funcionário americano consultado pela Efe.

O que está claro é que a Casa Branca não apresentará a sua iniciativa antes das eleições israelenses de 17 de setembro, após as quais o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tentará novamente formar governo, segundo confirmou na semana passada o próprio Greenblatt.

Ainda não se sabe se Greenblatt seguirá na Casa Branca quando for finalmente apresentado o projeto de paz. O alto funcionário consultado pela Efe se limitou a indicar que o negociador "permanecerá no seu posto durante o próximo período" para ajudar com a estratégia de apresentação do plano.

Quando Greenblatt sair, passará o bastão para Avi Berkowitz, um assessor de Kushner que o ajudou a desenvolver o projeto do processo de paz. No entanto, não está claro se Berkowitz assumirá formalmente o cargo de enviado especial para o Oriente Médio porque a Casa Branca se limitou a assinalar que esse funcionário "assumirá um papel mais ativo" na equipe de negociação junto a Brian Hook, o encarregado do Irã no Departamento de Estado.

Greenblatt, de 53 anos, trabalhou para Trump há duas décadas, a maior parte do tempo como assessor legal do conglomerado The Trump Organization. O presidente o definiu nesta quinta-feira como "um amigo leal e um advogado fantástico".

Judeu ortodoxo e filho de refugiados húngaros, Greenblatt utilizou a conta no Twitter para promover o trabalho da equipe de negociação e expressou a frustração em relação à postura dos palestinos, que rejeitam um papel dos EUA como mediadores desde que Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

Greenblatt foi um dos artífices dessa decisão de Trump, que aumentou as tensões entre israelenses e palestinos, que reivindicam a parte oriental de Jerusalém como a capital do seu futuro Estado independente. EFE