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Sínodo para a Amazônia terá mais de 250 participantes, anuncia Vaticano

 Dom João Braz de Aviz - Folhapress
Dom João Braz de Aviz Imagem: Folhapress

Cidade do Vaticano

21/09/2019 11h46

A Assembleia especial do Sínodo para a região Pan-amazônica, que acontecerá no Vaticano entre 6 e 27 de outubro deste ano, contará com mais de 250 participantes, entre eles, bispos, especialistas, líderes indígenas, representantes laicos, entre outros, segundo divulgou neste sábado a Santa Sé.

O escritório de imprensa do Vaticano publicou a lista de todos os participantes do próximo sínodo organizado pela Igreja Católica, que terá como tema "Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral".

"Examinará questões importantes para 'cada pessoa que habita neste planeta', como escreveu o Papa Francisco na introdução à sua Carta Encíclica Laudato si", diz a nota divulgada hoje.

O Brasil será o país com mais representantes entre os bispos, no total de 58. Entre os países que também contam com partes da Amazônia, a Colômbia terá 15, a Bolívia 12, o Peru 11, Equador e Venezuela sete, cada um, e as Antilhas quatro.

Além disso, como é de hábito, participarão 13 chefes dos dicastérios da Cúria Romana, embora o papa Francisco também tenha convidado 33 bispos para representarem os demais continentes.

O cardeal Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica será um dos presidentes-delegados, junto com o cardeal venezuelano Enrique Porras Cardoso e o cardeal peruano Pedro Barreto Jimeno.

O cardeal Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito e vigário-geral da Arquidiocese de São Paulo, além de presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, será o relator-geral do sínodo.

Além da assembleia de bispos e representantes da Igreja Católica, serão 25 especialistas na questão ambiental, além de 55 pessoas que atuam na região, e mais 12 convidados especiais, como o ex-secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon.

Também estarão no sínodo o subdiretor-geral do departamento de Clima, Biodiversidade, Terra e Água da FAO, René Castro Salazar; o presidente do Congresso de Organizações Indígenas Amazônicas José Gregorio Díaz Mirabal; a relatora especial das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Lucia Tauli-Corpus.

Entre as lideranças indígenas está o linguista Tapi Yawalapoti, que falará pelas 16 tribos do Alto Xingu.

A representação das mulheres ficará a cargo de 20 religiosas e 13 laicas, dez delas, da União Internacional das Superioras Gerais. Elas, no entanto, não terão direito a voto.

Os temas que serão debatidos no Vaticano estão resumidos em um documento preparatório. O texto destaca que "a vida na Amazônia está ameaçada pela destruição e a exploração ambiental", pela sistemática violação dos direitos humanos básicos da população e, especialmente, pela violação dos direitos dos povos originais.

Segundo o texto, a ameaça vem dos interesses econômicos e políticos "dos setores dominantes da sociedade atual", especialmente, das empresas de extração, muitas vezes com conivência ou permissividade dos governos locais e nacionais.

Além disso, um dos temas que promete debate mais intenso é a possibilidade de ordenação sacerdotal de homens casados, para que seja viável garantir os sacramentos nas regiões mais isoladas do planeta.

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