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Papa condena comentários de membros da Igreja sobre cocar de índio em missa

06/10:Papa Francisco celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, para abrir o Sínodo da Amazônia - Tiziana FABI/AFP
06/10:Papa Francisco celebra missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, para abrir o Sínodo da Amazônia Imagem: Tiziana FABI/AFP

Em Cidade do Vaticano

07/10/2019 13h38

O papa Francisco lamentou hoje em seu discurso na abertura da Assembleia Especial do Sínodo para a região Pan-amazônica os comentários de alguns membros da Igreja Católica ao cocar de plumas que indígenas utilizaram na missa de ontem.

"Me deu muita pena ouvir aqui dentro um comentário zombando desse senhor piedoso que trouxe oferendas. Que diferença há entre usar plumas ou o tricórnio de alguns chefes de dicastério?", indagou o pontífice, em referência ao chapéu que utilizam os cardeais católicos.

Já durante as reuniões onde acontecerão a Assembleia do Sínodo até o 27 de outubro, em que os bispos debaterão sobre as necessidades e problemas da Amazônia, Francisco também fez referência à resistência e às críticas de uma parte da Igreja ao encontro.

O papa pediu uma aproximação cuidadosa aos povos da Amazônia, respeitando a história, as culturas e o estilo de vida, "no sentido etimológico da palavra e não socialmente como fazemos frequentemente".

Francisco ainda lembrou que, no passado sob justificativa de civilizar, os povos originais foram aniquilados, por isso, pediu respeito aos habitantes da Amazônia, para que não haja o perigo do Sínodo propor medidas sem efetividade.

"Quando, pelo contrário, pedidos uma contemplação dos povos, uma capacidade de admiração, que faça nascer uma abordagem paradigmática. Não viemos aqui inventar programas de desenvolvimento social ou de custódia de culturas, como museus ou ações não contemplativas", garantiu.

O papa condenou o desmatamento e a exploração de alguns países, além da falta de respeito à realidade dos povos, que é soberana. EFE

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