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Justiça da Tunísia determina libertação de candidato à presidência preso

09/10/2019 16h04

Túnis, 9 out (EFE).- A Justiça da Tunísia determinou nesta quarta-feira a libertação de Nabil Karoui, candidato à presidência do país, que estava em prisão preventiva desde o dia 23 de agosto, acusado de evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

"O tribunal de cassação decidiu por sua libertação porque não tinham motivo para negar nossa solicitação", disse à Agência Efe o advogado do candidato, Nezih Souei.

O polêmico magnata da televisão tunisiana recorreu para disputar as eleições presidenciais em igualdade de condições com o jurista ultraconservador Kaïes Said, o adversário no segundo turno que será realizado no próximo domingo.

A libertação ocorre 24 horas depois de Karoui pedir o adiamento do segundo turno devido ao período em que esteve preso. A solicitação, segundo ele, foi feita porque a Instância Superior Independente das Eleições (ISIE) não atendeu suas exigências: participar da campanha eleitoral e conceder entrevistas aos veículos de comunicação do país.

No primeiro turno das eleições, realizado no último dia 15 de setembro, o líder do partido Qalb Tounes obteve 15,7% dos votos, três pontos percentuais a menos que o adversário, que também condenou as condições impostas a Karoui na disputa.

O próprio ISIE havia alertado sobre a possibilidade de o processo eleitoral ser questionado na Justiça caso o candidato não pudesse participar da campanha.

A decisão de hoje representa uma guinada jurídica no país, já que, até o momento, os tribunais tinham recusado quatro recursos da defesa de Karoui, abrindo um debate sobre um suposto aparelhamento político do Judiciário.

Karoui foi preso no último dia 23 de agosto, dez dias depois do início da campanha para o primeiro turno, devido a uma denúncia feita em 2016 pela ONG I-Watch, que investiga casos de corrupção no país. O irmão de Karoui, Ghazi, também foi denunciado, mas está foragido desde então.

Apesar da prisão, o magnata conseguiu bater com facilidade o presidente do parlamento da Tunísia, Abdel Fattah Mourou, líder do partido conservador islâmico Ennahda, um dos favoritos a ir ao segundo turno.

A esposa de Karoui, Salwa Smauoi, e a rede de televisão da qual ele é dono, a Nessma TV, a de maior audiência no país, foram essenciais para que ele se mantivesse na disputa.

No domingo, o Qalb Tounes ficou com o segundo lugar nas eleições legislativas e elegeu entre 33 e 35 deputados, segundo os resultados preliminares. Um dos eleitos é Ghazi, que pretende pedir imunidade parlamentar para evitar o processo aberto contra ele. EFE

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