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Ministro paraguaio é ouvido no Senado sobre fuga de líder do Comando Vermelho

09/10/2019 21h21

Assunção, 9 out (EFE).- O ministro do Interior do Paraguai, Juan Ernesto Villamayor, compareceu em audiência realizada pelo Senado para dar explicações sobre a fuga de um dos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho após um ataque à viatura que o transferia de volta a uma das penitenciária do país.

No depoimento que durou cerca de seis horas, o ministro tentou se desvencilhar do caso. Villamayor afirmou que a Polícia Nacional não sabia que Jorge Samudio, o integrante do Comando Vermelho resgatado, era um preso de alta periculosidade e que essa informação deveria ter sido repassada pelos órgãos responsáveis pelo serviço penitenciário do país.

A fuga gerou uma série de questionamentos sobre a segurança no Paraguai e provocou as renúncias do ministro de Justiça, Julio Javier Ríos, e do comandante da Polícia Nacional, Walter Vázquez. Não satisfeitos com as medidas tomadas pelo governo, sindicatos de policiais aposentados também exigem a saída de Villamayor do cargo.

Samudio foi resgatado enquanto era transferido de volta à Penitenciária de Emboscada, que fica a 40 quilômetros de Assunção, após participar de uma audiência judicial. Homens do Comando Vermelho atacaram a viatura que levava o criminoso e mataram o delegado Félix Ferrari, de 43 anos. Outro policial ficou ferido no ataque.

A investigação conduzida pelo Ministério Público do Paraguai já provocou a prisão de várias pessoas acusadas de ter envolvimento na fuga, entre elas Juan Carlos Irala, ex-diretor da Penitenciária de Emboscado, e dois guardas.

Além de defender as ações do governo no caso, Villamayor pediu que os senadores aprovem um projeto de lei que pretende ampliar o uso obrigatório do polígrafo em investigações contra a corrupção dentro da Polícia Nacional do Paraguai.

"Se aprovarmos esse projeto, teremos pelo menos um ponto de partida para recuperar a confiança na Polícia Nacional", ressaltou o ministro.

No fim de setembro, nove policiais, alguns deles chefes regionais, foram presos no país por colaborar com traficantes para permitir a passagem de carregamentos de cocaína.

Como reação ao ataque que libertou Samudio, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou que apresentará um projeto de emenda constitucional para dotar o Exército de poderes para lutar contra o narcotráfico e o crime organizado. EFE

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