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Governo libanês anuncia medidas econômicas para acalmar protestos

21/10/2019 11h04

Beirute, 21 out (EFE).- O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, anunciou nesta segunda-feira uma série de medidas econômicas adotadas pelo gabinete, que aprovou o orçamento de 2020 depois de muito atraso e vários dias de protestos nas ruas contra o governo.

Em entrevista coletiva transmitida pela televisão, Hariri afirmou que o orçamento geral para 2020 foi aprovado na reunião extraordinária realizada pelo Conselho de Ministros nesta segunda-feira, com uma previsão de 0,6% de déficit.

Além disso, garantiu que no orçamento "não há nenhum imposto novo". Os protestos que começaram na quinta-feira passada foram ocasionados pela aprovação de uma taxa sobre as chamadas de voz por aplicativos de mensagem instantânea, como o WhatsApp.

As manifestações também denunciaram a corrupção dos políticos. Como resposta, Hariri reduziu em 50% o salário de todos os ministros, deputados e outros altos cargos atuais e anteriores, além de eliminar o Ministério da Informação e outros órgãos que considerou "desnecessários" e que pesam sobre nos cofres do Estado.

O primeiro-ministro anunciou que serão redigidas novas leis até o fim do ano para "recuperar os recursos saqueados do Líbano" e "estabelecer uma autoridade para combater a corrupção", entre outras iniciativas que buscam dar fim a este problema endêmico.

Centenas de milhares de libaneses saíram às ruas em todo o país durante cinco dias consecutivos para expressar indignação em relação à corrupção e pedir a renúncia dos políticos atuais. Passados 29 anos desde o término da guerra civil (de 1975 a 1990), o país ainda não conseguiu evitar os cortes no fornecimento de água e luz.

Entre as medidas anunciadas por Hariri também há a promessa de reduzir a escassez de eletricidade aumentando o orçamento dedicado ao setor, além de controlar os fundos destinados à água e à construção para evitar desperdícios.

Os manifestantes criticaram o sectarismo dos partidos políticos e grupos armados afins, que controlaram o país desde o conflito, incluindo o movimento xiita Hezbollah, que tem grande peso na política libanesa.

No entanto, Hariri não mencionou essas reivindicações políticas nem anunciou mudanças de governo, nem a própria renúncia, como os libaneses têm pedido nas ruas do país. EFE

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