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Moreno chama Maduro de "asno" e o culpa por violência em protestos no Equador

20.fev.2017 - Lenín Moreno fala durante coletiva de imprensa em Quito nesta segunda (20) - Rodrigo Buendia/AFP Photo
20.fev.2017 - Lenín Moreno fala durante coletiva de imprensa em Quito nesta segunda (20) Imagem: Rodrigo Buendia/AFP Photo

21/10/2019 20h49

Quito, 21 out (EFE).- O presidente do Equador, Lenín Moreno, chamou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de "asno" nesta segunda-feira e acusou de estar por trás dos atos de violência durante as recentes manifestações registradas no país.

Em encontro com lideranças sindicais, Moreno afirmou reiteradas vezes, sem apresentar qualquer tipo de prova, que suspeita que o financiamento das ações violentas registradas nos protestos entre os dias 3 e 13 de outubro veio do chavismo.

"Não ficamos assombrados com a alegria de (Diosdado) Cabello (presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela), com a alegria do asno que governa a Venezuela (Maduro), com a alegria de (Rafael) Correa (ex-presidente do Equador). Definitivamente, era porque as mãos deles estavam aqui", afirmou Moreno.

O presidente equatoriano disse suspeitar da aparente satisfação do governo da Venezuela com a revolta popular no Equador, que se encerrou com a desistência de Moreno em retirar subsídios sobre combustíveis. Mais de mil pessoas foram detidas durante os protestos e oito manifestantes morreram.

Moreno aproveitou o evento para responder Maduro, que o chamou de "estúpido" ontem, e para reiterar as acusações contra Correa, de quem foi vice-presidente, a quem dirige as principais suspeitas pelos atos violentos nas manifestações.

"Não duvido, sob nenhuma circunstância, que houve dinheiro estranho para contratar grupos organizados aos quais se pedia para que surrassem, assaltassem e queimassem Quito", afirmou Moreno.

Durante a reunião de hoje com delegados da Confederação de Trabalhadores do Equador (CTE), Moreno destacou que uma das responsabilidades mais importantes do governo é a geração de empregos e que por isso convidou os sindicatos ao diálogo.

No entanto, a Frente Unitária de Trabalhadores (FUT), a maior central sindical do país, não participou do encontro de hoje e convocou um protesto para o próximo dia 30.

O presidente equatoriano disse ter tomado medidas econômicas para melhorar a situação do país, afetado, segundo ele, por uma grande dívida fiscal deixada por Correa. Por esse motivo, Moreno disse ter sido forçado a buscar fontes de financiamento externo, como o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo de US$ 4,2 bilhões.

"Antes, quando faziam operações de crédito com os chineses, ninguém sabia os termos. Agora é tudo transparente porque um dos nossos objetivos é enviar a Lei Econômica, é conseguir transparência, justiça e a otimização dos recursos", afirmou.

Sobre os protestos contra o governo, Moreno afirmou que o Equador ficou dividido depois do movimento e disse que as cidades do país estão se sentindo "violentadas" pela atitude dos manifestantes, a maior parte deles indígena.

"Esse é um regime democrático no qual se dialoga, se pergunta, se ouve e se escuta", concluiu Moreno. EFE

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