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Morales diz estar trabalhando para convencer apoiadores que aceitem o diálogo

17/11/2019 13h42

Cidade do México, 17 nov (EFE).- O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, revelou neste domingo em entrevista à Agência Efe que está procurando convencer aqueles que questionam seu pedido para um "diálogo nacional" com o governo de transição, visando encerrar o confronto no país.

Alguns líderes duvidam "e o povo diz: 'como vamos dialogar com os responsáveis pelos massacres'", disse Morales, que nas últimas horas entrou em contato com seus apoiadores em cidades como La Paz, Cochabamba e El Alto.

Morales afirmou que após as recentes mortes em confrontos com forças de segurança, quem pede diálogo "pode ser declarado um traidor".

"Agora, após esse massacre, os que estão mobilizados não querem mais diálogo. Primeiro descartam um novo governo e depois veem como reconstruir o Estado", disse.

No entanto, Morales reiterou seu apelo ao diálogo e procurou reduzir o confronto entre seus apoiadores e o governo de transição: "A posição que está crescendo é a de 'fora a ditadura e viva a democracia'. Meu grande desejo é que haja um diálogo entre os mediadores", afirmou.

O ex-mandatário vê sua participação neste "diálogo nacional" necessária para "pacificar a Bolívia", pois ele acredita ter "muita autoridade para falar" com os dois lados opostos.

Além disso, indicou o ex-presidente do Governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e o ex-presidente uruguaio, José Mujica, como possíveis mediadores internacionais no conflito boliviano.

"Como seria bom se a Espanha, ou Zapatero, um especialista em mediação, Pepe Mujica, ou outros governos se juntassem à mediação para a pacificação", disse.

Evo Morales, que assumiu o poder na Bolívia pela primeira vez em 2006, lamentou o posicionamento de alguns países europeus, como o Reino Unido, por ter estado ao lado dos Estados Unidos e apoiar o que ele considera um "golpe de Estado".

No entanto, abriu as portas para que a União Europeia participe da mediação: "Não apenas a União Europeia, também a Igreja Católica e as Nações Unidas", acrescentou.

Desde as eleições realizadas no dia 20 de outubro, a Bolívia vive uma grave crise, com pelo menos 20 mortos e mais de 500 feridos nos confrontos entre apoiadores e opositores de Morales.

Há uma semana, Evo Morales anunciou a repetição das eleições presidenciais depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) revelou ter encontrado diversas irregularidades no pleito realizado no mês passado onde ele havia sido reeleito para um quarto mandato.

No entanto, pouco depois, por sugestões da polícia e das Forças Armadas, Morales renunciou à presidência depois de quase 14 anos no poder.

O governo do México anunciou que lhe foi oferecido asilo para proteger sua vida. EFE

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