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Lula dispara contra Bolsonaro por atacar "conquistas democráticas e sociais"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) - Ricardo Stuckert - 14.nov.2019/PT/AFP
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) Imagem: Ricardo Stuckert - 14.nov.2019/PT/AFP

Da EFE, em Londres

22/11/2019 11h25

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a disparar contra as políticas do atual chefe de governo do país, Jair Bolsonaro, em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal britânico "The Guardian".

"Bolsonaro já deixou claro o que quer para o Brasil: destruir todas as conquistas democráticas e sociais das últimas décadas", afirma o mandatário entre 2003 e 2010, que passou 580 dias preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná.

Na primeira entrevista concedida para meio estrangeiro desde que ganhou liberdade, Lula admitiu que o Partido dos Trabalhadores (PT) está se organizando para voltar a eleger um presidente, embora tenha desconversado ao ser questionado se ele seria o candidato.

"Em 2022, terei 77 anos. A Igreja Católica, com 2 mil anos de experiência, aposenta seus bispos aos 75", afirmou o ex-líder sindical, em ar de mistério.

Lula ainda atacou Bolsonaro pelas fotos em que o atual chefe de Estado aparece ao lado de suspeitos de envolvimento com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, no ano passado, que ainda não foi esclarecido.

"Houve um tempo em que falar de paramilitares era uma coisa rara. Hoje, vemos que o presidente se cerca deles", disse.

Outra crítica feita pelo líder do PT é o que considera ser uma submissão de Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou como algo "realmente vergonhoso".

"A imagem do Brasil, agora mesmo, é negativa. Temos um presidente que não governa, que se senta para debater fake news 24 horas por dia. O Brasil tem que ter um papel no cenário internacional", afirmou o ex-governante.

Lula disse que não era possível prever a eleição de Bolsonaro ao cargo máximo da política do país e lamentou que a propagação de ócio seja parte do cotidiano de muitas pessoas. Ainda assim, garante que teria vencido o então candidato do PSL, no ano passado.

"Votaram em Bolsonaro, em geral, porque Lula não era candidato. A melhor maneira de recuperar o voto dessas pessoas, é falar bastante com elas", avaliou.

O ex-presidente revelou estar entristecido com a situação atual da Bolívia, mas reconheceu que o "amigo" Evo Morales errou ao tentar um quarto mandato como chefe de governo.

"Mas, o que fizeram com ele foi um crime. Foi um golpe de Estado. Isso é terrível para a América Latina", disse.

Sobre o período na prisão, após condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal envolvendo um triplex no Guarujá, em São Paulo, Lula garante não ter qualquer "amargura" e estar com o "coração maior" após ganhar liberdade.

O ex-presidente foi solto no início deste mês, após ser beneficiado pela decisão do STF, que em nova jurisprudência proibiu a execução penal após condenação em segunda instância.

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