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Rússia, Irã e Turquia reafirmam compromisso com soberania da Síria

11/12/2019 11h13

Nursultan, 11 dez (EFE).- Rússia, Irã e Turquia, os países que garantem o cessar-fogo na Síria, reafirmaram nesta quarta-feira o compromisso com a soberania e a integridade territorial do país árabe e rechaçaram as propostas de criação de autonomias, sob o pretexto da luta contra o terrorismo.

Representantes dos governos russo, iraniano e turco assim se manifestaram, em declaração conjunta dada ao término da 14ª rodada de consultas do chamado Formato de Astana (antigo nome da capital do Cazaquistão, atual Nursultan), para a verificação do cumprimento do cessar-fogo sírio.

O encontro, também contou com a participação de delegação do governo do país árabe e também da oposição.

Ao reiterar o compromisso com a integridade territorial da Síria, os países garantidores da trégua rechaçaram o objetivo de criar novas realidades sobre o terreno, incluídas "as iniciativas ilegais de criar autonomias sob o pretexto de combater o terrorismo".

Rússia, Irã e Turquia garantiram ainda que mantêm a decisão de combater planos separatistas, que vão contra a soberania e a integridade territorial síria e ainda seriam possíveis ameaças à segurança nacional de países vizinhos.

A declaração conjunta, no entanto, não menciona em nenhum momento os curdos.

A citação coube ao chefe da delegação do governo da Síria e representante permanente do país na ONU, Bachar Jafar, que, em entrevista coletiva, destacou que Damasco não reconhece a autonomia curda no noroeste do país.

"A Síria rechaça todas as intenções de autonomia, porque é uma mostra de separatismo. Mas, nossas portas estão abertas e, periodicamente, dialogamos com os curdos", disse o diplomata.

Jafar garantiu ainda que o governo confia que o resultado desse diálogo produzirá a reunificação com os "irmãos curdos", completando que as lideranças do grupo étnico "compreenderão o erro e se afastarão dos americanos".

A situação da província de Idlib, no noroeste sírio, foi um dos temas centrais das consultas de Nursultan. Rússia, Irã e Turquia concordaram adotar "medidas concretas" para garantir a proteção da população civil, em conformidade com as normas do direito humanitário internacional e dos militares dos países garantidores.

Ao mesmo tempo, russos, iranianos e turcos revelaram grande preocupação com a crescente presença de grupos terroristas, que ameaçam a população civil, tanto dentro como fora da região. Além disso, reforçaram a necessidade de continuar as operações para libertar prisioneiros.

Os três países garantidores manifestaram a disposição de respaldar o trabalho do comitê que elaborará a nova Constituição da Síria, assim como com o enviado especial da ONU para o país, Geir Pedersen, que também participou das negociações.

"Neste momento, a minha prioridade é o consenso da agenda e facilitar a celebração a próxima reunião do Comitê Constitucional. Ainda é prematuro arriscar dizer quando o trabalho será concluído", afirmou Pedersen.

A próxima rodada de negociações na capital do Cazaquistão acontecerá em março de 2020. EFE