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Cardeal Sarah diz que Bento XVI sabia do livro e sua data de publicação

14/01/2020 11h15

Cidade do Vaticano, 14 jan (EFE).- O cardeal Robert Sarah, coautor com Bento XVI de um livro em defesa do celibato, disse nesta terça-feira em um comunicado que o papa emérito sabia da existência do volume, seu conteúdo e data de publicação, negando assim o vazamento de que ele não havia dado a aprovação.

Em uma declaração oficial divulgada no Twitter, o prefeito cardeal da Congregação para o Culto Divino respondeu aos vazamentos publicados em alguns meios de comunicação, incluindo o jornal italiano "Corriere della Sera", a partir de uma fonte que não se identificou e se definiu como próxima ao pontífice emérito, em que assegurou que "Bento XVI não escreveu o livro a quatro mãos com o cardeal Sarah".

Esta fonte acrescentou que se trata de "uma operação editorial de mídia, da qual Bento não quer fazer parte e é totalmente alheio".

No entanto, o cardeal guineense explica passo a passo como foram forjadas a escrita e publicação do livro com o texto de Bento XVI e um prólogo e uma conclusão assinada por ambos.

Sarah diz que comunicou ao papa emérito a possibilidade de publicar o material que ele havia recebido do pontífice e fazer dele um livro, pois seria difícil fazê-lo nos meios de comunicação.

O cardeal acrescenta que o papa alemão, que decidiu renunciar ao pontificado em 2013, pôde ver o volume, a capa - que mostra uma foto dos dois - e o seu conteúdo no dia 19 de novembro.

Ele acrescenta que, no dia 25 de novembro, Bento XVI expressou sua aprovação para a publicação "de acordo com o que ele pretendia" o cardeal, como também pode ser lido nas cartas do papa Emérito que Sarah publicou ontem à noite no Twitter.

Ele também enfatiza que no dia 3 de dezembro ele visitou Joseph Ratzinger em sua residência Mater Ecclesiae, dentro do Vaticano e onde vive desde sua renúncia, e que então o informou que o livro seria publicado em 15 de janeiro.

Sarah considera profundamente desprezível a polêmica desencadeada por Bento XVI ao dizer não conhecer a publicação do livro.

Após o desmentido do cardeal, ainda não chegou uma versão oficial da posição de Bento XVI, que não veio do Vaticano ou do ambiente do papa emérito, que na realidade seria apenas seu secretário pessoal, arcebispo Georg Ganswein.

A bomba caiu no Vaticano no último domingo, quando foi anunciado um novo livro assinado por Bento XVI e Sarah, um dos principais líderes da facção conservadora que critica todos os movimentos de Francisco, defendendo o celibato diante da decisão que terá que ser tomada pelo papa argentino sobre a proposta de ordenar homens casados do Sínodo da Amazônia.

O volume, publicado em francês por Fayard e intitulado "Das profundezas de nossos corações" (Des profondeurs de nos coeurs), chegará às livrarias amanhã, enquanto o Papa encerra sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazônia, que para muitos é um movimento de pressão sobre Francisco.

Sarah afirma em sua declaração "que sua proximidade com Bento XVI permanece intacta, bem como obediência filial ao papa".

Para alguns, foi uma tentativa de manipular um frágil Bento XVI, que completará 93 anos em abril, através da área mais conservadora da Igreja e enfrentando Francisco. EFE