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Áñez defende candidatura à presidência da Bolívia e reforma ministerial

29/01/2020 15h19

Gina Baldivieso.

La Paz, 28 jan (EFE).- A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, defendeu nesta terça-feira sua criticada candidatura às eleições do próximo dia 3 de maio após realizar uma reforma ministerial para continuar governando o país durante a campanha eleitoral.

Em discurso realizado no Palácio Quemado, em La Paz, Áñez falou pela primeira vez sobre a polêmica provocada pelo anúncio de que disputará a presidência e afirmou que não existe nenhuma lei que a impeça de ser candidata enquanto exerce o cargo.

"Esse direito está plenamente protegido em nossa Constituição. Assim, vou ser candidata e exercer a presidência simultaneamente sem cometer nenhum ato inconstitucional", afirmou.

A manutenção do cargo é questionada por adversários políticos de Áñez, como o Movimento ao Socialismo (MAS), partido liderado pelo ex-presidente Evo Morales, que terá o ex-ministro Luis Arce como candidato nas eleições de maio.

"Esquecerei todas as ofensas e novamente estendo as mãos (aos opositores) para tentar até o último dia construir uma grande aliança democrática e vencedora que devolva aos bolivianos uma vida sem medo", afirmou.

Áñez reclamou das críticas de que teria faltado com a palavra ao anunciar sua candidatura à presidência, apesar de, de fato, ter contrariado a promessa de que só ficaria no poder até que um governo fosse eleito em maio.

Quanto aos receios de que poderia usar a máquina do governo para favorecer sua campanha, Áñez fez uma nova promessa e disse que só buscar votos em horários nos quais não esteja trabalhando ou durante os fins de semana.

Funcionários do governo que descumprirem essa ordem serão "drasticamente punidos", segundo a presidente interina, que inclusive anunciou um decreto para proibir certas ações no processo eleitoral.

REFORMA MINISTERIAL

Áñez havia pedido no domingo a renúncia de todos os ministros pouco depois de a titular da Comunicação, Roxana Lizárraga, entregar o cargo após criticar duramente a presidente interina pela decisão de se candidatar.

A renúncia coletiva foi efetivada hoje. No entanto, 17 dos 20 ministros foram reconduzidos aos cargos. As mudanças ocorreram nos ministérios de Desenvolvimento Rural, de Educação e de Comunicação, posto que será agora ocupado pela jornalista Isabel Fernández.

"Esse ajuste no gabinete era necessário para estar absolutamente segura de que todos os membros da equipe estão comprometidos com uma gestão honesta e transparente para o bem de todos os bolivianos", explicou a presidente interina.

Além de Áñez e Arce, serão candidatos o ex-líder cívico Luis Fernando Camacho, que liderou protestos contra Morales depois das denúncias de fraude no último pleito, e os ex-presidentes Carlos Mesa e Jorge Quiroga.

Os nomes serão oficializados nos próximos dias 2 e 3 de fevereiro, prazo para que as chapas sejam inscritas no Tribunal Supremo Eleitoral. EFE

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