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Presidente sul-sudanês e líder opositor confirmam governo de unidade

20/02/2020 16h27

Juba, 20 fev (EFE).- O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, anunciou que chegou a um acordo com o líder da oposição armada, Riek Machar, para formar um governo de transição nesta quinta-feira, um dia antes do término do prazo estabelecido para a criação do novo gabinete como parte do acordo de paz de 2018.

Em pronunciamento televisionado, os dois líderes confirmaram o compromisso de formar um governo de unidade, no qual Machar será o vice-presidente e Kiir continuará como presidente, em conformidade com os acordos de paz assinados em setembro de 2018 para acabar com a guerra civil no país.

"Eu concordei com o presidente Kiir sobre a necessidade de formar um governo na data estabelecida, apesar dos desafios que ainda não fomos capazes de resolver", disse Machar.

Nos últimos dias, tinha ficado no ar a possibilidade de ambos conseguirem formar um governo antes de 22 de fevereiro, data determinada pelas partes e pelos mediadores após duas prorrogações em novembro e maio do ano passado devido às divergências que ainda persistem entre Kiir e Machar.

Ambos continuam a ter diferenças sobre a estrutura administrativa do país. A oposição exige que sejam dez estados, como quando o Sudão do Sul se tornou independente do Sudão em 2011, mas Kiir determinou mais de 30 e recentemente os reduziu para dez mais três áreas administrativas separadas.

Machar foi nesta semana a Juba para abordar esta questão controversa com o rival e os mediadores da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento na África Oriental (IGAD).

O líder da oposição viajou para a capital sul-sudanesa apesar de estar sob prisão domiciliar em Cartum, regime que abandonará assim que o novo governo for formado e ele retornar para assumir o cargo de vice-presidente, o qual ocupou em 2013, quando Kiir o acusou de orquestrar um golpe de Estado.

Os dois chegaram a um acordo de paz em 2015, que entrou em colapso um ano depois, e o pacto selado em setembro de 2018 sobreviveu até agora, embora a maioria de seus pontos não tenha sido implementada, como a criação de um exército nacional.

De acordo com o texto, a oposição ocupará nove das 35 pastas do novo governo, além de 128 lugares de um total de 550 no Parlamento, enquanto o atual governo terá 332 lugares. Os 90 restantes serão atribuídos às outras quatro ramificações da oposição que assinaram o acordo de paz.