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Acaba fase de desembarque de passageiros em cruzeiro no Japão após quarentena

21/02/2020 16h39

Tóquio, 21 fev (EFE).- Centenas de pessoas deixaram o cruzeiro Diamond Princess no Japão nesta sexta-feira, após as autoridades terem terminado uma controversa quarentena, que levou vários países a retirarem seus cidadãos da embarcação e reisolá-los.

Com a saída de cerca de 450 pessoas, o governo japonês terminou hoje uma primeira fase de desembarque irrestrito de passageiros que testaram negativo para o novo coronavírus, uma operação que causou agitação dentro e fora do país por causa do risco de potencial propagação do SARS-CoV-2.

Mais de 1 mil passageiros puderam deixar o navio e voltar para casa livremente na última quarta-feira após o fim do período de isolamento de 14 dias. O único pedido foi que verificassem a temperatura nas duas semanas seguintes e fossem para um hospital caso desenvolvessem sintomas potenciais, como febre ou tosse seca.

A tripulação restante, com pessoas que não foram resgatadas por seus países, ainda está a bordo e será examinada para depois deixar o cruzeiro progressivamente. O mesmo acontece com os passageiros que dividiram uma cabine com os infectados, que terão que passar por mais 14 dias de quarentena depois que os enfermos deixaram o navio.

Esses passageiros, cujo número não foi informado, serão transferidos para instalações escolhidas pelo governo japonês para cumprir o período de isolamento, de acordo com os detalhes recolhidos pela emissora pública de televisão "NHK".

A gestão da epidemia de COVID-19 a bordo do Diamond Princess foi abertamente criticada por agências estrangeiras e por pesquisadores japoneses, como o especialista em doenças infecciosas Kentaro Iwata. Segundo ele, seria aconselhável que as pessoas que saíssem do cruzeiro passassem por uma nova quarentena.

O próprio Iwata está em isolamento voluntário após embarcar no cruzeiro na última terça-feira para ver os trâmites em primeira mão. Eles os descreveu como caótico e completamente inadequado.

Até agora, foram confirmados 634 casos de coronavírus a bordo do navio, pouco menos de um quinto das cerca de 3,7 mil pessoas a bordo quando a embarcação foi colocada em quarentena em 3 de fevereiro, depois de um passageiro que desembarcou em Hong Kong ter sido encontrado infectado.

Entre as mais de 90 infecções confirmadas no Japão fora do cruzeiro, estão quatro oficiais que estiveram envolvidos na gestão da quarentena.

O volume de casos, que aumentava dezenas por dia e sugeria a ocorrência de infecções secundárias durante o isolamento, alarmou as autoridades em mais de 56 países com passageiros a bordo, que foram progressivamente retirados.

A Indonésia e as Filipinas foram as últimas a anunciar hoje que irão fretar voos para resgatar os seus cidadãos afetados. Reino Unido, Itália e Taiwan já disseram que planejam fazer o mesmo nesta sexta-feira, e não está descartado que outros países sigam o exemplo, como reconheceu o ministro de Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi.

Mais de 750 pessoas, passageiros e integrantes da tripulação do Diamond Princess, já foram resgatados por Estados Unidos, Coreia do Sul, Hong Kong, Israel, Canadá e Austrália, tendo este último país declarado que dois dos regressados contraíram o vírus, embora os testes realizados antes de deixarem o Japão terem dado negativo.

Austrália, EUA e Hong Kong decidiram submeter os retirados a uma segunda quarentena de duas semanas, tendo em vista o questionamento da gestão japonesa da crise.

O surto de Covid-19 no navio deixou duas pessoas mortas até agora, um passageiro de 87 anos e uma passageira de 84, ambos de nacionalidade japonesa e com problemas de saúde anteriores.

Além disso, o Japão registrou outra morte pelo coronavírus, a de uma mulher octogenária sem ligação direta com a cidade chinesa de Wuhan, o epicentro da epidemia viral.

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