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Portugal pede ações rápidas da UE na economia para lidar com pandemia

Primeiro-ministro de Portugal, Antônio Costa - Michele Tantussi/Reuters
Primeiro-ministro de Portugal, Antônio Costa Imagem: Michele Tantussi/Reuters

27/03/2020 23h59

Lisboa, 27 mar (EFE).- O primeiro-ministro português, António Costa, lamentou nesta sexta-feira o fracasso nas conversas no Conselho Europeu extraordinário, realizado ontem, e exigiu providências da União Europeia para lidar com a pandemia mundial do novo coronavírus.

"A União Europeia, ou faz o que tem que ser feito ou vai acabar. Não há nenhum país da UE que esteja preparado para enfrentar situações com esta dimensão", disse Costa em entrevista coletiva.

As críticas do premiê lusitano foram voltadas principalmente para o ministro das Finanças da Holanda, Wopke Hoekstra, que propôs investigar países, como a Espanha, por não terem margem orçamental para combater o coronavírus, apesar de a Zona do Euro ter crescido nos últimos sete anos.

"É repugnante. A última coisa que um político responsável pode fazer neste cenário é não entender que a prioridade das prioridades é salvar vidas, é combater este vírus, é criar condições para que as empresas possam voltar a funcionar, os empregos possam voltar a ser seguros. Esta é a única forma de tornar as finanças públicas sustentáveis. O resto é ficção", destacou Costa, que é aliado da Espanha em sua posição em relação à UE e, como a França, apoia a emissão de títulos para aliviar o fardo que a pandemia representa para as economias nacionais.

A reunião extraordinária, realizada por teleconferência, teve a participação de representantes dos 27 integrantes do bloco econômico. Houve uma busca, sem sucesso, de acordo para a emissão de dívida comum, o que vem sendo chamado de 'coronabonds'.

"Não há finanças públicas saudáveis com economias mortas, desempregados e o colapso de um sistema de saúde. Estas são ficções dos manuais neoliberais, mas não existem na vida cotidiana", disse o primeiro-ministro, que disparou contra Hoekstra.

"Um ministro das finanças tem que entender muito bem quais são essas prioridades e entender que a União dos 27 não está vivendo a crise isolada, sozinha. Trata-se de partilhar as dificuldades e as vantagens com os outros", opinou.

Costa também alertou para o risco de a União Europeia cair de novo na estratégia adoptada após a crise de 2008, e que, em suas palavras, teve "trágicas consequências econômicas e sociais". E ele alertou que a situação agora é mais grave.

"Não se trata apenas de economia e não se trata apenas de emprego. Estamos falando de salvar vidas humanas, e é por isso que é repugnante ouvir tais reações", insistiu.

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