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Cancelar expulsão de embaixadora da UE foi a decisão "apropriada", diz Maduro

03/07/2020 04h45

Caracas, 2 jul (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira que cancelar a ordem de expulsar a embaixadora da União Europeia (UE) em Caracas foi a "melhor e mais inteligente" decisão, favorecendo "que o mundo escute a verdade" sobre o país, embora a decisão tenha sido tomada e comunicada pelo próprio mandatário três dias atrás.

"Parece ser o melhor, o mais inteligente, a coisa mais apropriada a se fazer. Além disso, corresponde ao que buscamos, que o mundo ouça a verdade sobre a Venezuela, que a União Europeia entre em outro entendimento e que haja uma profunda e histórica retificação do papel que a UE tem desempenhado com a Venezuela", disse Maduro durante uma cerimônia militar.

Nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores venezuelano e o Serviço de Ação Externa da UE emitiram uma declaração conjunta anunciando que o país sul-americano tinha decidido "anular" a decisão de expulsar a embaixadora Isabel Brilhante Pedrosa.

A expulsão foi anunciada por Maduro na segunda-feira passada e deveria ser realizada em um prazo máximo de 72 horas - que terminariam nesta quinta-feira -, como resposta às sanções impostas pela UE contra 11 venezuelanos por envolvimento em atos e decisões contra a democracia e o estado de direito.

A embaixadora tinha adiado a partida para sábado, uma vez que não havia voos regulares devido à pandemia de Covid-19.

DIÁLOGO DIRETO ENTRE CARACAS E BRUXELAS.

Para tomar a decisão de suspender a expulsão, Maduro explicou que o chanceler Jorge Arreaza o informou que na terça-feira teve uma conversa "tensa e dura" com o alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell.

De acordo com o presidente, Arreaza fez "uma afirmação sólida sobre a ilegalidade e a injustiça dessas sanções", que ainda estão mantidas.

"A ideia surgiu para tomar o caminho do diálogo político e diplomático entre a União Europeia e o governo venezuelano. Para elevar o nível do diálogo, para aprofundar e dinamizar o diálogo direto entre Borrell e Arreaza", ao mesmo tempo que se fazia a proposta de suspender a expulsão, detalhou Maduro.

NOVO ENTENDIMENTO.

Após analisar a situação, o governante disse que aceitou a proposta para "dar uma oportunidade de diálogo, diplomacia, comunicação e um novo entendimento com a União Europeia".

Por esta razão, adotou a medida que, segundo ele, inclui "avançar para uma nova fase de diálogo direto" entre a Venezuela e a UE.

Maduro pediu "todo o apoio da opinião pública venezuelana" para esta decisão na "frente diplomática" que visa "defender a verdade, defendendo os interesses da Venezuela no mundo".