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Uruguai aposta em integração "mercorrealista" para o Mercosul

03/07/2020 04h53

Assunção, 2 jul (EFE).- O compromisso do presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, com o que chamou de "mercorrealismo" marcou nesta quinta-feira a chegada de seu governo à presidência do Mercosul, após um primeiro semestre em que o Paraguai, então à frente do bloco, teve uma agenda dominada pela chegada do coronavírus à América do Sul.

Lacalle Pou e os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil), Alberto Fernández (Argentina) e Mario Abdo Benítez (Paraguai) participaram da cúpula do bloco por videoconferência e concordaram que o futuro do Mercosul depende de uma maior integração.

O primeiro a apelar em prol desta coesão dos quatro membros foi Abdo Benítez, que agradeceu aos colegas pelo apoio dado para garantir que o Mercosul tivesse um funcionamento o mais normal possível em meio às restrições impostas pela pandemia.

"Temos que repensar a integração a partir da luta contra a Covid-19 e do período pós-pandemia, aprendendo com as experiências para gerar respostas semelhantes no futuro", disse.

Por sua vez, Fernández falou que os integrantes devem trabalhar "mais juntos do que nunca" em prol de um Mercosul que impõe "um destino comum".

O presidente argentino também enfatizou as desigualdades sociais que a pandemia trará, uma situação que desafia quem está no poder a encontrar respostas para "construir um mundo mais equilibrado".

Assim como Fernández, Lacalle Pou cobrou um Mercosul mais social e que "pertença ao povo", embora para ele este benefício signifique fortalecer os acordos comerciais e o posicionamento internacional.

"O Uruguai, mais uma vez, está apostando no Mercosul, o verdadeiro Mercosul, não um Mercosul no papel. Um Mercosul que atue", frisou.

Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro não apelou tanto pela integração, mas pela "reestruturação interna do Mercosul" e apontou a revisão da Tarifa Externa Comum (CET) e o progresso para a liberalização dos setores açucareiro e automotivo como temas importantes para o bloco.

Bolsonaro fez pouca menção à pandemia e aos desafios que ela representa.

"Um deles é combinar a proteção das pessoas com o imperativo de reativar a economia", declarou.

"MERCORREALISMO"

Além dessa integração, Lacalle Pou explicou aos demais presidentes as prioridades da agenda uruguaia para os próximos seis meses, convidando-os a repensar o projeto comum, que está prestes a comemorar o 30º aniversário, e a deixar de lado as diferenças ideológicas a fim de aperfeiçoarem o projeto.

"Não precisamos ser mercopessimistas ou merco-otimistas. Acho que temos que ser mercorrealistas e, para sermos mercorrealistas, temos que ser sinceros nas relações entre nossos Estados", advertiu.

Para Lacalle Pou, essa sinceridade representa melhorar a infraestrutura, a conectividade e o mercado aduaneiro, e em relação às relações externas, estar comprometido com o multilateralismo.

Neste aspecto, ele enviou uma mensagem aos países "maiores" de que existe o risco de que possam "conduzir involuntariamente ao protecionismo".

O uruguaio marcou como bases para o próximo semestre, no qual presidirá o bloco, a intenção de assinar os acordos pré-estabelecidos com a União Europeia (UE) e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e de avançar nas negociações com outros países.

"A China formalizou a vocação de aprofundar as relações com o Mercosul. Creio que há uma espécie de omissão por parte de nosso bloco em responder adequadamente a esta formalidade", destacou.

Dentro do Mercosul, o país que mostra mais reticências em relação ao gigante asiático é o Paraguai, que mantém relações diplomáticas com Taiwan, considerado uma província rebelde pela China.

Após a cúpula, o Ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas, disse em entrevista coletiva que "não há questionamento algum (em relação ao tema), é uma grande oportunidade".

PRESENÇA INTERNACIONAL.

Também participaram da cúpula os presidentes dos países associados e o alto representante da UE para Assuntos Exteriores, Josep Borrell.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, assim como Bolsonaro, apresentou críticas ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela e pediu apoio a "um governo de transição de base ampla" para conseguir "o fim de uma ditadura".

Por sua vez, a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, referiu-se ao Mercosul como "um dos processos de integração mais importantes não apenas na região, mas também no mundo".

Noelia F. Aceituno