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Moro deseja melhoras a Bolsonaro, mas o critica por "omissão" sobre Covid-19

08/07/2020 22h58

São Paulo, 8 jul (EFE).- O ex-ministro da Justiça e ex-juiz federal Sergio Moro reforçou nesta quarta-feira o desejo de que o presidente Jair Bolsonaro se recupere após ter contraído Covid-19 - como já havia feito ontem, em mensagem no Twitter - e voltou a criticá-lo pela gestão do combate à pandemia no país.

"Até publicamente eu manifestei o meu desejo de que ele tenha plena recuperação em relação à Covid. Espero também que ele não seja um daqueles que sofrem os piores sintomas ou as piores consequências", afirmou Moro em entrevista exclusiva à Agência Efe.

Após uma saída conturbada do governo, Moro externou posições críticas a Bolsonaro, como no tema da pandemia. O ex-ministro reforçou o tom na entrevista e disse que o presidente foi "omisso" em relação ao avanço do novo coronavírus no país.

"Quando estava dentro do governo, fui um crítico, e sempre foi minha posição de que precisava ter uma política federal direcionada ao combate da pandemia. E, não obstante, com todo respeito ao presidente e ao governo, houve uma omissão por conta do negacionismo do presidente, e isso foi bem negativo para o país", declarou.

"Temos hoje mais de 65 mil vítimas. Infelizmente, devemos chegar a 70 mil em breve. Espero que não, sempre há uma esperança de que não se chegue a tanto, mas a pandemia tem sido muito grave no Brasil no que se refere ao número absoluto de vítimas, e mesmo o número relativo também é alto", acrescentou.

Moro também disse não acreditar que o país esteja mais vulnerável por ter a máxima autoridade infectada por Covid-19.

"Não vejo dessa forma. Vejo como um evento lamentável a contaminação, mas algo que poderia acontecer, independentemente da política do governo federal. O que é realmente negativo é esse negacionismo e essa contrariedade às políticas de distanciamento social. Nós sabemos que isso gera consequências econômicas graves, em termos de perdas de emprego, perda de renda, e isso tem que ser combatido com medidas econômicas, e o governo vem fazendo isso, com alguma dificuldade, mas vem fazendo", disse.

"Mas isso não autoriza que sejam negligenciadas as medidas sanitárias. E, quando se tem dentro do país, uma federação como o Brasil - não tem nada de errado nisso, é algo positivo -, mas quando não se tem uniformidade no enfrentamento da doença, isso passa mensagens contraditórias para a população, e acabou levando aqui no Brasil uma polarização política em relação ao combate à pandemia, um assunto que não deveria ter essa conotação política", concluiu.