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Obama discursa contra Trump em funeral de John Lewis e é aplaudido de pé

O ex-presidente norte-americano, Barack Obama - palinchak/Depositphotos
O ex-presidente norte-americano, Barack Obama Imagem: palinchak/Depositphotos

31/07/2020 04h40

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticou nesta quinta-feira as pessoas que atacam com "precisão cirúrgica" o direito ao voto e as minorias, em referência às tentativas do atual mandatário, Donald Trump, de desincentivar a prática de votar por correio durante a pandemia de covid-19.

Sem mencionar o nome de Trump, Obama fez um discurso combativo no funeral do congressista John Lewis, um líder histórico dos direitos civis que foi preso diversas vezes por defender o direito da comunidade negra de votar.

Obama elogiou Lewis e lembrou que o congressista, morto aos 80 anos, "dedicou o seu tempo na Terra a combater os mesmos ataques à democracia que estão circulando neste momento".

"Enquanto estamos aqui, sentados, há pessoas no poder que estão fazendo tudo o que podem para suprimir o voto, fechando locais de votação, atacando minorias e estudantes com leis de identificação restritivas e atacando o nosso direito de voto com precisão cirúrgica, inclusive minando o serviço postal antes das eleições, que dependerão dos votos por correio para que não fiquemos doentes", afirmou o ex-presidente, que foi aplaudido de pé.

Poucas horas antes, Trump sugeriu que as eleições marcadas para 3 de novembro sejam adiadas, algo que o atual mandatário não pode decidir porque necessita contar com o apoio da maior parte do Congresso, onde os democratas controlam a Câmara dos Representantes.

Ao longo do discurso, Obama disse que o dia das eleições deveria ser feriado para que todos os americanos possam votar. O ex-presidente também criticou o fechamento de alguns centros de votação nos últimos anos, especialmente em áreas pobres.

Obama ainda questionou as leis que, desde 2013, alguns estados controlados por conservadores aprovaram para forçar os eleitores a mostrarem um documento com foto, apesar de não existir uma carteira de identidade nacional nos EUA e os cidadãos não serem obrigados a ter tal identificação.

Também defendeu o Serviço Postal dos EUA, cuja confiabilidade Trump colocou em dúvida e que se encontra em situação econômica precária, motivo pelo qual os mais céticos acreditam que os correios não conseguirão assumir a carga de trabalho nas eleições de novembro.

Repressão das manifestações

Novamente sem mencionar o sucessor, Obama criticou os agentes federais que "utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos" e comparou os EUA de Trump às leis de Jim Crow, que institucionalizaram a segregação racial no país no final do século 19.

Recordando Lewis, o ex-presidente pediu para que os americanos prestem atenção aos piores instintos impregnados na história do país.

"Ele (Lewis) sabia, por experiência própria, que o progresso é frágil, que temos de ter cuidado com as correntes mais sombrias da história do nosso país, da nossa própria história. Onde há redemoinhos de violência, ódio e desespero, o mal pode ressurgir", advertiu.

Ausência de Trump

Além de Obama, compareceram ao funeral na Igreja Batista Ebenezer - onde Martin Luther King foi reverendo - os ex-presidentes George W. Bush e Bill Clinton.

Trump não compareceu ao funeral em Atlanta, nem à homenagem a Lewis feita nesta semana no Congresso dos EUA, que contou com a presença do vice-presidente, Mike Pence.

Lewis e Trump tinham uma relação de inimizade já conhecida: o congressista não compareceu à posse do atual presidente em 2017 e criticou o republicano diversas vezes pela política de imigração de seu governo e outros assuntos.

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