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Ex-agente saudita acusa príncipe herdeiro de tentativa de assassinato

O príncipe saudita Mohammed bin Salman - AFP PHOTO / SAUDI ROYAL PALACE / BANDAR AL-JALOUD
O príncipe saudita Mohammed bin Salman Imagem: AFP PHOTO / SAUDI ROYAL PALACE / BANDAR AL-JALOUD

07/08/2020 03h27

Washington, 6 ago (EFE).- O ex-agente da Inteligência saudita Saad al Jabri acusou nesta quinta-feira, em Washington, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, de ter enviado um "esquadrão" ao Canadá para assassiná-lo.

A denúncia, apresentada a um tribunal do Distrito de Colúmbia, descreve o papel do príncipe herdeiro e de outros agentes sauditas na suposta tentativa de assassinato de Jabri.

De acordo com o documento judicial, Mohamed bin Salman ordenou a mobilização de agentes sauditas na América do Norte para investigar o paradeiro de Saad al Jabri, que foi encontrado no Canadá, e enviou um grupo de 50 pessoas - chamado Esquadrão do Tigre - para matá-lo, duas semanas após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em Istambul, em outubro de 2018.

Jornais americanos detalharam que integrantes do mesmo esquadrão supostamente participaram da morte de Khashoggi.

A acusação afirma que o grupo de supostos assassinos contava com médicos legistas especializados em limpar provas de crimes e que possuíam o equipamento necessário para tal tarefa.

Segundo o texto, a tentativa de assassinato foi evitada por guardas na fronteira do Canadá, que suspeitaram do comportamento do grupo em um posto de controle em um aeroporto.

"Poucos lugares guardam informação mais delicada, humilhante e condenatória sobre o acusado Salman do que a mente e a memória do senhor Saad, exceto, talvez, as gravações que o senhor Saad fez antes da tentativa de assassinato", afirma o documento.

"É por isso que o acusado Salman o quer morto, motivo pelo qual o acusado agiu para atingir seu alvo nos últimos três anos", acrescenta o texto.

Ainda de acordo com o processo, os esforços do príncipe herdeiro saudita para assassinar Saad al Jabri continuam, e que, inclusive, Mohamed bin Salman enviou agentes por terra dos EUA ao Canadá.

Jabri alega que Bin Salman tentou deslocá-lo a outros lugares, como a Arábia Saudita, para cometer o assassinato e prendê-lo sob acusações de corrupção.

O jornal "The New York Times" informa que a Arábia Saudita pediu em 2017 para que a Interpol prendesse e extraditasse Jabri por corrupção, o que foi recusado pela polícia internacional por considerar que a solicitação tinha motivação política.

A publicação lembra que Jabri trabalhou durante anos como assistente do ex-príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Nayef, comandou o Ministério do Interior e se encarregou da segurança nacional e do combate ao terrorismo. Esses trabalhos permitiram que Saad al Jabri estabelecesse uma relação dos serviços de Inteligência americanos e de outros países.

Em 2015, Saad al Jabri foi demitido por um decreto real, dois anos antes de Mohamed bin Nayef ser destituído como príncipe herdeiro pelo tio, o rei Salman bin Abdulaziz, que nomeou Mohamed bin Salman para o posto.

Jabri abandonou a Arábia Saudita dois anos depois, mas dois de seus filhos permanecem no reino. EFE

ssa/vnm