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Ex-presidente do Burundi é condenado à prisão perpétua por morte de sucessor

20/10/2020 17h42

Bujumbura, 20 out (EFE).- A Justiça do Burundi, nesta terça-feira, condenou à prisão perpétua o ex-presidente Pierre Buyoya e outras 18 pessoas envolvidas no assassinato de seu sucessor no poder, Melchior Ndadaye, eleito democraticamente em 1993, o que desencadeou uma sangrenta guerra civil.

A sentença foi emitida hoje pelo Supremo Tribunal do Burundi, de acordo com o jornal local "Iwacu".

Buyoya, que é alto representante da União Africana para o Mali e o Sahel desde 2013, não esteve presente no julgamento, pois afirma que o processo teve motivação política.

Além dessas 19 sentenças de prisão perpétua, que incluem não apenas o ex-presidente, mas também outros ex-funcionários de alto escalão, como o ex-vice-presidente Alphonse Marie Kadege, o tribunal do Burundi impôs uma multa financeira de US$ 52 milhões (cerca de R$ 291,5 milhões) aos culpados.

Outros três réus no julgamento foram condenados a 20 anos de prisão e apenas um dos réus, o ex-primeiro-ministro Antoine Nduwayo, foi absolvido.

Buyoya, um comandante de etnia tutsi, foi presidente do pequeno país da África Oriental duas vezes, de 1987 a 1993 e de 1998 a 2003, e em ambas as ocasiões chegou ao poder em um golpe de Estado.

O primeiro governo de Buyoya, uma junta formada principalmente por tutsis (etnia que representa cerca de 15% da população do Burundi), provocou uma revolta hutu (maioria de 85% da população) em 1988 que levou a uma repressão do Exército, deixando mais de 20 mil mortos.

Após as eleições de 1993, ele foi sucedido no poder pelo hutu Melchior Ndadaye, que é considerado o primeiro presidente democraticamente eleito do país e que queria nomear um governo com presença compartilhada de hutu e tutsi.

As comunidades tutsis rejeitaram a autoridade de Ndadaye e se revoltaram contra o poder, em eventos que acabaram com a vida de Ndadaye e desencadeou uma sangrenta guerra civil, que durou 12 anos, na qual quase 300 mil pessoas morreram e dezenas de milhares fugiram do país.