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Erdogan sugere que turcos não comprem produtos provenientes da França

26/10/2020 15h48

Ancara, 26 out (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez um apelo nesta segunda-feira à população turca, para que seja iniciado um boicote aos produtos provenientes da França, em resposta às medidas tomadas pelo governo do país contra grupos islâmicos.

"Já que eles pediram para não comprar produtos turcos, apelo ao meu povo: não comprem produtos franceses", disse o chefe de governo, durante pronunciamento transmitido ao vivo pela emissora local "NTV".

Na fala, Erdogan criticou duramente a difusão de caricaturas de Maomé na França, em resposta ao brutal assassinato do professor Samuel Paty, que havia mostrados os desenhos em sala, durante uma aula sobre liberdade de expressão.

O presidente turco comparou a situação dos muçulmanos na Europa com a dos "judeus há 80 anos", antes do Holocausto provocado pelos nazistas, que exterminou a maioria da população judaica do continente.

"A crescente islamofobia no Ocidente se tornou agora um ataque em grande escala ao nosso Livro, ao nosso profeta e a tudo o que consideramos sagrado", disse Erdogan, em referência ao Corão, no pronunciamento de abertura da semana dedicada à comemoração do aniversário de Maomé.

"Recordamos muito bem os crimes contra a humanidade cometidos há 80 anos contra os judeus, e há 25 anos contra nossos irmãos em Srebrenica, na Bósnia. Convoco os cristãos, os judeus: quando eles atacam sua religião, nós a protegemos. Agora, os muçulmanos na França são oprimidos: vamos nos unir para protegê-los, todos juntos", completou o presidente turco.

Erdogan afirmou que as escolas e os locais de trabalho muçulmanos estão sofrendo com ataques que classificou como racistas e fascistas.

"Não há dia em que não tenhamos notícia de um templo atacado", garantiu.

Além disso, o chefe de governo da Turquia atacou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, por causa da realização de uma operação policial em uma mesquita de Berlim, "com cem policiais, na hora da oração da manhã". EFE

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