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Morre ex-mordomo do Papa Bento XVI que vazou documentos do Vaticano

24/11/2020 15h17

Roma, 24 nov (EFE).- O ex-mordomo do Papa Bento XVI Paolo Gabriele, condenado pelo Tribunal Vaticano, mas que recebeu perdão do próprio pontífice, por ter roubado e vazado documentos secretos da Igreja Católica, morreu nesta terça-feira aos 54 nos, após uma longa doença, sem nunca quebrar o silêncio.

O antigo funcionário se manteve sem comentar o caso desde o fim de um dos julgamentos mais emblemáticos do Vaticano, que teve o primeiro grande escândalo de vazamento de informações.

Na ocasião, Gabriele acabou sendo condenado a 18 meses de prisão e foi afastado da função, mas nunca se soube se ele era o verdadeiro elemento utilizado para iniciar uma campanha contra o papa e outros setores da Igreja.

Nos últimos anos de vida, segundo a agência de notícias italiana "Ansa", o ex-mordomo, que era casado e tinha três filhos, seguiu trabalhando no Vaticano, mas sem realizar muitas tarefas. Recentemente, de uma maneira geral, Gabriele estava sempre afastado por problemas de saúde.

Após sua prisão, além de muitos documentos considerados secretos, tais como cartas ao papa, na casa de Gabriele foram encontrados um cheque de 100 mil euros, enviado pela Universidade de Murcia, na Espanha, à Bento XVI, uma pepita de ouro e uma edição do livro Eneida, de Ulisses, publicada em 1581.

Em 6 de outubro de 2012, o ex-mordomo foi condenado a três anos de prisão, por roubo de documentos, mas após a aplicação de atenuantes, a pena caiu para 18 meses. No julgamento, ao ser perguntado se era culpado ou inocente, Gabriele disse ter agido por "amor" à Igreja Católica e ao papa.

Em um interrogatório, o antigo funcionário disse que a situação de "confusão" que viu no Vaticano, assim como a corrupção na Igreja, foi o que o levou a reunir documentos e entregá-los para a imprensa, com o objetivo de causar um "choque" e retomar o que considerava ser o caminho certo.

Paoletto, como era conhecido, disse que o Papa Bento XVI era uma pessoa "manipulável", que frequentemente fazia perguntas que mostravam que estava mal informado e que "precisava saber" o que estava acontecendo no Vaticano.

O escândalo do vazamento de documentos começou com a divulgação de cartas enviadas ao pontífice pelo núncio da Santa Sé nos Estados Unidos, o arcebispo Carlo María Viganó, que denunciava a corrupção e a má gestão na administração do Vaticano.

O jornalista Gianluigi Nuzzi, que iniciou série de publicações sobre irregularidades no Vaticano, no entanto, nunca confirmou que Gabriele foi o responsável por entregar as informações.