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1 mês

Multidão acompanha funeral de jovem morta durante manifestação em Mianmar

04/03/2021 14h35

Rangun (Mianmar), 4 mar (EFE).- Com lágrimas e desafiando a junta militar, uma multidão de pessoas compareceu nesta quinta-feira ao funeral de uma manifestante de 19 anos que se tornou um ícone contra a violência militar que já fez 54 vítimas em Mianmar.

Kyal Sin, apelidada de Angel, morreu ontem de um tiro na cabeça durante um protesto na cidade de Mandalay em que ela vestia uma camiseta preta com a frase "Tudo vai ficar bem" e sua imagem se tornou viral nas redes sociais .

Seus amigos e familiares, incluindo seu pai, se abraçaram no funeral e alguns fizeram o gesto de três dedos da saga de "Jogos Vorazes", um símbolo de resistência e protesto contra o abuso de poder que se espalhou da Tailândia para Mianmar e Hong Kong.

Dançarina e fã de taekwondo, Kyal Sin foi descrita por outros manifestantes como uma ativista de solidariedade usando um crachá com seu nome e uma mensagem dizendo que queria doar seus órgãos caso morresse.

Em uma das fotos que se tornou viral antes de sua morte, a jovem aparece no meio da multidão com óculos para se proteger do gás lacrimogêneo, uma máscara e uma garrafa de plástico na mão.

Ontem foi o dia mais sangrento desde o golpe de 1º de fevereiro, após a morte de 38 manifestantes e mais de 100 feridos, segundo a ONU, devido à repressão das forças de segurança em cidades como Rangun, Mandalay e Monywa em sua estratégia para aterrorizar a população.

No entanto, os manifestantes voltaram às ruas hoje em cidades como Rangun, Mandalay e a capital, Naypyido, para protestar contra a junta militar e pedir a libertação dos detidos, incluindo a vencedora do Prêmio Nobel da Paz e o líder de fato do país, Aung San Suu Kyi.

Em dois pontos diferentes em Rangun, a antiga capital, centenas de jovens usando principalmente capacetes de plástico e escudos rudimentares formaram barricadas para se proteger das forças de segurança que tentavam dispersá-los.

Hoje, a polícia conta com o apoio de soldados da Marinha, informou ao jornal local "Myanmar Now".

O Conselho de Segurança da ONU pretende abordar amanhã, em uma videoconferência à porta fechada, a situação no país, já que a presidência rotativa do órgão, ocupada pelos Estados Unidos, oficializou-se ontem. EFE

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(foto)(vídeo)